A salvação é pela graça de Deus

Por Nilson Pereira de Moura – Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Brasília, membro da Equipe Pastoral da Igreja Cristã de Brasília.

Ninguém merece!… Essa é uma afirmação que já caiu no uso popular. Quando alguém recebe algo desagradável logo diz: “ninguém merece”. A humanidade criada à imagem e semelhança de Deus tinha comunhão plena com seu criador. Mas em um belo e lindo dia o homem e a mulher personificados em Adão e Eva resolveram quebrar a harmonia e comunhão que desfrutavam com Deus no jardim bem arborizado e com todas as condições de vida. Resolveram viver segundo seu próprio coração. Segundo sua própria vontade. Foram desobedientes ao seu Criador. Deus havia dito que eles poderiam desfrutar de tudo que havia no jardim. Entretanto, pediu obediência de ambos dizendo: “não comam da árvore do conhecimento do bem e do mal” Gn 2.16-17. A Bíblia narra que homem e mulher resolveram mentoriados pela serpente desobedecer ao seu Criador e comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal que estava no meio do jardim – Gn 3.1-13. Daí o pecado entrou no mundo e trouxe morte a toda a humanidade. O apóstolo Paulo entendeu bem esse drama humano quando escreve no livro de Romanos 5.12-13:

“Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram; porque antes de ser dada a Lei, o pecado já estava no mundo”.

Em decorrência do desejo e da desobediência do casal todos passaram a serem herdeiros da morte. Ninguém merece! Diriam muitos. Entenda como ficou a situação para todos por causa da escolha de Adão e Eva. Vamos imaginar a condição lastimável e desesperadora em que passamos a viver.

Todo ser humano é agora um criminoso e que a sentença é a morte sem misericórdia. Imagine o desespero saber que amanhã você vai morrer e que não tem mais recursos na lei para provar sua inocência e que a condenação é a pena de morte. Essa é a situação do homem e da mulher que quebrou a harmonia e a comunhão com seu criador e que vive em desobediência e sem Cristo. Estão todos condenados à morte eterna. Em alguns países a pena de morte é praticada. A Corte máxima condena, mas pela lei o réu pode apelar ao governante por clemência, mas se a clemência lhe for negada não tem mais recursos. O réu é executado. É a Lei.

Somente Deus pode dar o perdão e declarar o condenado justificado. Pela lei dos homens o condenado merece a morte. Somos este homem condenado ao inferno, à morte eterna. Jesus disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra nela” – Jo 8:7. É a condição de todos nós vivermos à sombra da morte e em pleno desespero. Como o pecado extensivo de Adão ninguém merece, porque é uma coisa ruím. A salvação é uma coisa muito boa, mas também ninguém a merece. É pela graça de Deus. É uma dádiva de Deus. O ser humano sem Cristo está condenado à morte e debaixo da ira de Deus. É o reto juízo. Novamente o apóstolo Paulo nos ajuda a entender o que Deus fez por todos os condenados. Deus usou de sua clemência para livrar-nos da pena de morte. Na sua carta aos efésios capitulo 2.1-10, o mesmo Paulo escreve:

“Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos”.

A princípio como tratado nos versos 1-2, quando o apóstolo usa o verbo na 2ª pessoa do plural “vocês”, são apenas os homens gentios, “outras nações” é que estavam perdidos e que estavam mortos em transgressões e pecados seguindo a ética do mundo e as ordens do príncipe do ar e o espírito (o Diabo) que está atuando e conduzindo os filhos da desobediência, nesse caso éramos merecedores da ira Deus, ou melhor, merecedores do reto juízo de Deus, a pena de morte. A Bíblia afirma categoricamente que “O salário do pecado é a morte” – Rm. 6.23. Esta é a condição do homem e da mulher que não são judeus quando lemos os três primeiros versículos, mas o texto não termina aí. Paulo continua seu texto no verso 3 usando o verbo na primeira pessoa do plural “nós”, o que retoma a teologia de que os judeus também são incluídos na mesma condição dos outros homens e mulheres que vivem mortos em delitos, transgressões e pecados, satisfazendo a vontade da carne, (desejos e pensamentos pecaminosos). Os Judeus são também orientados pelo príncipe do mundo – o Diabo. Os judeus também são merecedores da ira de Deus. Os que andam dessa maneira são merecedores do reto juízo de Deus. O pecado traz a ira de Deus sobre todos os desobedientes, é afirmado em Cl 3.6:

“É por causa dessas coisas que vem a ira de Deus sobre os que vivem na desobediência, as quais vocês praticaram no passado, quando costumavam viver nelas”.

Não há como escapar da sentença de pena morte destinada a toda humanidade herdeiros do primeiro casal que resolveu viver em plena desobediência ao seu Criador. Senhor e Deus. Não importa a nacionalidade, todos nós estamos encarcerados a espera da Ira e do Juízo de Deus, pois todos somos pecadores, não escapa ninguém. Paulo em Romanos 3:23-26:

“Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua Tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”.

Diante desse quadro, Deus toma a iniciativa e planeja a salvação, pois ninguém a merece e não há nada que o ser humano possa fazer para que esta lhe seja garantida. Ninguém a merece. É dom de Deus. Deus tomou a iniciativa desde o momento da queda conforme é registrado em Gn 3.8. É Deus quem busca o ser humano caído.

“Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: onde está você?”

É de suma importância a percepção de Paulo quando ele afirma:

“Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos”.

E ainda hoje Deus está fazendo a mesma pergunta: “onde está você?”. Para salvá-lo dos seus delitos, transgressões e dos pecados e o regatar do poder do príncipe das trevas que agora atua nos filhos da desobediência, nos versos 5-10 é mostrado o que se ganha em Cristo. A salvação pela graça ninguém merece. É Dom de Deus para que ninguém se orgulhe de ser merecedor por ter praticado algo de bom. É dito por Paulo que a salvação é pela graça e não pelas obras da lei, nem pelas obras humanas. Ninguém a merece. É dom de Deus. Todos em Adão e Eva pecaram Ninguém merece. Todos são salvos por Jesus Cristo. Ninguém merece.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.”.

O ato misericordioso e gracioso de Deus foi capaz de reabilitar o ser humano dando-lhes: vida, ressuscitando-os dos mortos, fazendo-os assentar nos lugares celestiais. Tudo isto em Cristo Jesus nosso Senhor. Os textos de Romanos 5.9-10 e João 3:16, afirmam que a salvação é um ato de justiça e reconciliação com Deus por meio do seu grande amor.

“Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda, por meio dele, seremos salvos da ira de Deus! Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quando mais agora, tendo sido reconciliados, sermos salvos por sua vida! Não apenas isso, mas também nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem acabamos de receber a reconciliação”. “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça (não morra), mas tenha a vida eterna”.

Em conclusão, a humanidade criada para ter comunhão com seu criador resolveu desobedecer e viver por conta própria e sem Deus, passando de um estado de perfeita comunhão para um estado de mortos e separados de Deus por causa dos pecados, transgressões, delitos. Deus iniciou o plano para salvar o homem. Essa salvação veio como um dom (uma dádiva) de Deus mediante seu Filho Jesus Cristo. Não há nada que se possa fazer para ser merecedor da salvação. Assim como ninguém merecia ser punido no ato adâmico. Também a Salvação ninguém merece, por melhor que seja sua boa intenção. Por melhor que seja suas obras. Elas não podem salvá-lo. A única coisa que se pode fazer é dar uma resposta positiva ao plano, à iniciativa de Deus. A resposta é a fé no ato de amor de Deus e crendo na morte de Cruz e na ressurreição de Jesus Cristo. O ser humano foi agraciado por Deus em seu grande amor e misericórdia. Ninguém merece a Salvação. Ela é um dom Deus.

Nilson Pereira de Moura

Sobre Nilson Pereira de Moura

Nilson Pereira de Moura nasceu em 1957 na cidade de Posse-GO. É casado há 25 anos e pai de três filhos. É bacharel em Teologia, com concentração em Ministério Pastoral, pela Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB (1999). Ordenado ao Ministério Pastoral pela Igreja Cristã de Brasília, em 09 de dezembro de 2001, em Concílio presidido pelo Pastor Júlio Borges de Macedo Filho. Foi posteriormente aprovado em Concílio Especial de reconhecimento de exame realizado pela ICB pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, em 22 de setembro de 2009. Pastoreou como membro do Colegiado de Pastores na Igreja Batista do Jardim Paquetá, na cidade de Planaltina de Goiás, no período de março de 2008 até 13 de novembro de 2010, período que julga de extrema relevância para o seu Ministério Pastoral. Após essa experiência gratificante retornou à Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF (PIBS), onde ocorreu sua conversão em dezembro de 1980 e batismo em 23 de agosto de 1981. Permaneceu como pastor membro na PIBS de 14 de novembro de 2010 até 19 de julho de 2011, quando resolveu retornar à equipe pastoral da Igreja Cristã de Brasília em 24 de julho de 2011, onde foi recebido com grande alegria e unanimidade. É muito grato a Deus pela experiência adquirida na caminhada cristã. Em 18 de agosto de 2013 foi recebido como membro efetivo na Primeira Igreja Batista de Sobradinho – PIBS/DF. No dia 30 de novembro de 2014 retornou à Equipe Pastoral da ICB de copastor. Em 19 de abril de 2015 por aclamação, retornou a PIBS, na qualidade de membro efetivo. Servidor público federal, aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, onde ingressou em 03 de janeiro de 1979. Atuou na Área de Gestão de Pessoas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda-SPE/MF, e na Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento – SPU/MP, no assessoramento técnico da ASTEC, em gestão de Pessoas. Posteriormente, exerceu a função de parecerista na Secretaria de Recursos Humanos – SRH/MP, tendo encerrado a sua participação no MPR na Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, onde exerceu os cargos de Assistente, Assessor Técnico e Chefe de Divisão por vários anos. Encerrou sua carreira no IPEA ocupando a atribuição de Auditor substituto, na Auditoria Interna do órgão. Em paralelo, exerceu o cargo de Diretor de Administração e Finanças da Associação dos Funcionários do IPEA-AFIPEA, cargo pelo qual foi eleito para o Biênio 2011/12, acumulando também o cargo de Secretário-Executivo da AFIPEA-SINDICAL. Cargos exercidos até 30 de maio de 2013.