A Verdadeira Páscoa – Sua origem e significado

Êxodo 12:1-20

Por Nilson Pereira de Moura – bacharel em teologia e pastor na ICB

 

O que é a páscoa? Parece redundância fazer esta pergunta no momento em que mais se fala em Páscoa. Mas, a intenção da pergunta é descobrir a verdadeira Páscoa. Vamos ver a sua origem. Segundo Pr. Isaltino a palavra Páscoa “vem do hebraico passach que significa ‘passar sobre’”. Após 400 anos de cativeiro do povo hebreu no Egito Deus providenciou miraculosamente a libertação do povo da escravidão. Deus assim constitui um povo exclusivo seu, o Israel de Deus. Portanto, a primeira celebração da Páscoa acontece no Egito em celebração da saída do povo do cativeiro, a verdadeira redenção “resgate” realizado por Deus.

Para que a Páscoa se realizasse era necessário um cordeiro, um povo e o sangue do cordeiro. Inspirado em uma reflexão do pastor Isaltino Gomes sobre a Páscoa é que vou mostrar um pouquinho o significado da Páscoa Cristã. A Páscoa judaica era uma profecia que se cumpriu em Cristo. No texto de Êxodo 12:1-13 descobrimos a origem da Páscoa:

“O SENHOR disse a Moisés e a Arão, no Egito: Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês. Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. Se uma família for pequena demais para um animal inteiro, deve dividi-lo com seu vizinho mais próximo, conforme o número de pessoas e conforme o que cada um puder comer. O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito. Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. Passem, então, um pouco do sangue nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas nas quais vocês comerão a carne assada no fogo, com ervas amargas e pão sem fermento. Não comam a carne crua, nem cozida em água, mas assada no fogo: cabeça, pernas e vísceras. Não deixem sobre nada até pela manhã; caso isso aconteça, queimem o que restar. Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão comam apressadamente. Esta é a Páscoa do SENHOR. Naquela mesma noite passarei pelo Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR! O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito. Este dia será um memorial que vocês e todos os seus dependentes celebrarão como festa ao SENHOR. Celebrem-no como decreto perpétuo. Durante sete dias como pão sem fermento, porque quem comer qualquer coisa fermentada, do primeiro ao sétimo dia, será eliminado de Israel. Convoquem uma reunião santa no primeiro e outra no sétimo. Não façam nenhum trabalho nesses dias, exceto o da preparação da comida para todos. É só o que poderão fazer. Celebrem a festa dos pães sem fermento, porque foi nesse mesmo dia que eu tirei os exércitos de vocês do Egito. Celebrem esse dia como decreto perpétuo por todas as suas gerações. No primeiro mês comam pão sem fermento, desde o entardecer do décimo quarto dia até o entardecer do vigésimo primeiro. Durante sete dias vocês não deverão ter fermento em casa. Quem comer qualquer coisa fermentada será eliminado da comunidade de Israel, seja estrangeiro, seja natural da terra. Não comam nada fermentado. Onde quer que morarem, como apenas pão sem fermento”. (tradução NVI)

 

O Cordeiro – V5 deveria ser macho e sem defeito “perfeito” símbolo de Cristo. Sem pecado. V8 A carne do cordeiro deveria também ser comida com pão sem fermento (azeda, não o fermento que conhecemos hoje). Fermento = símbolo da corrupção. Ervas amargas = símbolo do sofrimento na escravidão. V10 consumir tudo, o que restar deve ser queimada = símbolo do sacrifício de Cristo. Morto em favor da humanidade. Vejamos alguns textos que afirmam o sacrifico de Cristo.

João 1:29

“No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha em sua direção, e disse: Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

 

1ª Cor 5:7-8:

“Removei o fermento velho, para que sejais massa nova sem fermento, assim como, de fato, sois. Porque Cristo, nosso cordeiro da páscoa, já foi sacrificado. Portanto, celebremos a festa, não com fermento velho, nem com fermento da maldade e da corrupção, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade”.

 

1ª Pedro 1:18-20:

“sabendo que não foi com coisas perecíveis, como a prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa maneira fútil de viver, recebida por tradição dos vossos pais. Mas fostes resgatados pelo precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, conhecido já antes da fundação do mundo, mas manifestado no fim dos tempos em vosso favor”.

 

O povo – V3-4. A páscoa deveria ser celebrada em família – Israel – Igreja. A primeira Israelita. A segunda da igreja que agora é a família de Deus. O verso 11 “E vós o comereis assim: com vossos cintos na cintura, vossos sapatos nos pés e vosso cajado na mão; e o comereis às pressas. Esta é a Páscoa do Senhor”. Eram peregrinos no Egito.

 

O Pr. Isaltino disse: “O Egito não era o lugar deles”.

Assim também, os cristãos e a igreja devem viver como peregrinos que estão indo para uma pátria melhor. A terra não é o nosso lugar, pois esperamos uma pátria melhor, isto é, o céu. Paulo na carta aos Filipenses 3:20 diz:

“Mas a nossa pátria, porém, está nos céu, de onde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser semelhante ao corpo da sua glória, pelo seu poder eficaz de sujeitar a si todas as coisas”.

Também na carta aos Hebreus consta que não podemos ficar presos a esta terra – Heb 11:14-16, na tradução da NVI é afirmado:

“Os que assim falam mostram que estão buscando uma pátria. Se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto é a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, e lhes preparou uma cidade”.

 

Citando de novo o Pr. Isaltino:

“A Páscoa judaica lembrava aos judeus que foram estrangeiros no Egito e que Deus lhes dera uma terra. O cristão sabe que é peregrino neste mundo e que Deus lhe deu uma pátria celestial”.

 

Leiamos sobre o que Jesus disse sobre a nossa verdadeira pátria em João 14:1-7:

“Não se perturbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vos teria dito; pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim, para que onde eu estiver estejais vós também. E vós conheceis o caminho para onde vou. Disse-lhe Tome: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos saber o caminho? Jesus lhe respondeu: Eu Sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai, a não ser por mim”.

 

O sangue – VV 7, 12-13. Deus promoveu o juízo sobre o Egito. O sangue era o sinal de salvação para toda a família judaica que aceitasse a aliança com Deus. A vinda de Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo pelo derramamento do seu sangue nos livra da condenação eterna. O sangue que livrou os judeus da destruição é agora simbolizado pelo sangue derramado por Jesus Cristo em nosso favor, e por todo aquele Nele crê para libertação do cativeiro do pecado.

 

João 8:34-36:

“Jesus respondeu: Digo-lhes a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado. O escravo não tem lugar permanente na família, mas o filho pertence a ela para sempre. Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres”.

 

Em 1ª João 1:7 é dito:

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”.

 

Como eu disse no começo, me inspirei em uma meditação do Pr. Isaltino Gomes para esta mensagem. Portanto, concluo com sua definição sobre a Páscoa:

“A Páscoa do cristão não é ovo de chocolate nem o símbolo é um coelho. Isto é festa. A verdadeira páscoa é aquela em podemos dizer que aceitamos que Jesus morreu pelos nossos pecados. Ele é a verdadeira páscoa”. “Não precisamos ser rabugentos, implicando com tudo, e negarmos o aspecto cultural e festivo dos dias da páscoa. Receba e dê ovos de chocolate, se você gostar. Mas a verdadeira páscoa é poder dizer que Cristo morreu por nós, para nos dar a salvação”.

Deus fez uma nova aliança conosco por meio de seu Filho Jesus Cristo. Nasce um novo povo. A sua igreja. Um povo remido e redimido pelo o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Uma nova aliança revoga a anterior como bem escreve o autor de Hebreus 9:15:

“Por isso, ele é mediador de uma nova aliança para que, tendo sofrido a morte para a redenção das transgressões cometidas sob a primeira aliança, os chamados recebam a promessa da herança eterna”.

Agora temos uma nova aliança com Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador – Lucas 22:14-20:

“Chegada a hora, Jesus se pôs à mesa com os apóstolos. E lhes disse: Tenho desejado muito comer esta Páscoa convosco, antes do meu sofrimento; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tendo recebido um cálice e dado graças, disse: Tomai-o e reparti-o entre vós; porque vos digo que a partir de agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. Tomando o pão e tendo dado graças, partiu-o e entregou a eles, dizendo: Isto é o meu corpo dado em favor de vós; fazei isto em memória de mim. Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramada em favor de vós”.

Esta é a verdadeira Páscoa, uma nova aliança com Deus por meio de Jesus Cristo. Ele morreu e ressuscitou para nossa salvação. Luc 24:5b: “Por que procurais entre os mortos aquele que vive?”

 

O que a Páscoa significa para sua vida?

 

Fonte Bíblica:

Bíblia Nova Versão Internacional – Vida

Bíblia Almeida Século 21 – Vida Nova e Hagnos.

Nilson Pereira de Moura

Sobre Nilson Pereira de Moura

Nilson Pereira de Moura nasceu em 1957 na cidade de Posse-GO. É casado há 25 anos e pai de três filhos. É bacharel em Teologia, com concentração em Ministério Pastoral, pela Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB (1999). Ordenado ao Ministério Pastoral pela Igreja Cristã de Brasília, em 09 de dezembro de 2001, em Concílio presidido pelo Pastor Júlio Borges de Macedo Filho. Foi posteriormente aprovado em Concílio Especial de reconhecimento de exame realizado pela ICB pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, em 22 de setembro de 2009. Pastoreou como membro do Colegiado de Pastores na Igreja Batista do Jardim Paquetá, na cidade de Planaltina de Goiás, no período de março de 2008 até 13 de novembro de 2010, período que julga de extrema relevância para o seu Ministério Pastoral. Após essa experiência gratificante retornou à Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF (PIBS), onde ocorreu sua conversão em dezembro de 1980 e batismo em 23 de agosto de 1981. Permaneceu como pastor membro na PIBS de 14 de novembro de 2010 até 19 de julho de 2011, quando resolveu retornar à equipe pastoral da Igreja Cristã de Brasília em 24 de julho de 2011, onde foi recebido com grande alegria e unanimidade. É muito grato a Deus pela experiência adquirida na caminhada cristã. Em 18 de agosto de 2013 foi recebido como membro efetivo na Primeira Igreja Batista de Sobradinho – PIBS/DF. No dia 30 de novembro de 2014 retornou à Equipe Pastoral da ICB de copastor. Em 19 de abril de 2015 por aclamação, retornou a PIBS, na qualidade de membro efetivo. Servidor público federal, aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, onde ingressou em 03 de janeiro de 1979. Atuou na Área de Gestão de Pessoas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda-SPE/MF, e na Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento – SPU/MP, no assessoramento técnico da ASTEC, em gestão de Pessoas. Posteriormente, exerceu a função de parecerista na Secretaria de Recursos Humanos – SRH/MP, tendo encerrado a sua participação no MPR na Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, onde exerceu os cargos de Assistente, Assessor Técnico e Chefe de Divisão por vários anos. Encerrou sua carreira no IPEA ocupando a atribuição de Auditor substituto, na Auditoria Interna do órgão. Em paralelo, exerceu o cargo de Diretor de Administração e Finanças da Associação dos Funcionários do IPEA-AFIPEA, cargo pelo qual foi eleito para o Biênio 2011/12, acumulando também o cargo de Secretário-Executivo da AFIPEA-SINDICAL. Cargos exercidos até 30 de maio de 2013.