CRISE DE CREDIBILIDADE (2): RETRATOS E PERGUNTAS

CRISE DE CREDIBILIDADE (2): RETRATOS E PERGUNTAS

Julio Borges Filho

Eis algumas fotos que revelam nossa atual crise de credibilidade interna e externa provocando perguntas que exigem nossas respostas:

Retrato 1 – Em janeiro de 2010 o então presidente Lula se tornou o primeiro chefe de Estado a receber o prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos, pela sua atuação na erradicação da pobreza, redistribuição de renda e paz mundial. Todos disputavam Lula e queriam ser fotografado com ele, e até Obama disse: “Ele é o cara”. Oito anos depois, após o golpe parlamentar de 2016 contra a presidenta Dilma, Michel Temer, nosso atual presidente, foi discursar em Davos para uma plateia vazia exponho ao mundo a irrelevância e a falta de credibilidade em que se transformou o Brasil na economia mundial. E ninguém quis ser fotografado ao lado dele. A irrelevância do nosso país é tanta que Otávio de Barros, ex-chefe econômico do Bradesco, em sua 6ª participação em Davos, afirmou no dia 26 de janeiro de 2018: “Nunca tinha visto o Brasil tão irrelevante e tão desinteressante na visão da comunidade internacional. Neste momento, o Brasil inexiste para o mundo que decide.” Como o Brasil mudou tanto em apenas dois anos?

Retrato 2 – Em outubro 2017 foi o tricentenário de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e reverenciada por milhões de católicos brasileiros. O Papa Francisco foi convidado oficialmente para vir ao Brasil e rejeitou o convite. Até João Dória, o falante prefeito de São Paulo, foi beijar a mão do Papa em Roma e tentou convencer o Pontífice a vir, e a resposta foi um não. Porque o primeiro Papa da América Latina, o maior líder moral e religioso do mundo atual que já veio duas vezes ao Brasil, deixou de vir numa data tão importante do maior país católico do mundo? Enquanto isso dois vídeos bombaram na internet:  o primeiro com nosso polêmico pastor Silas Malafaia, relacionado como o quarto pastor mais rico do Brasil,  pedindo, no seu programa de TV, um aluguel por ano de explorados inquilinos como semente plantada para a bênção de Deus da moradia própria; o segundo é com o Bispo Edir Macedo, o papa da IURD e o pastor mais rico do Brasil e do mundo,  fazendo apologia ao dinheiro como pauta para um congresso, e apresentando um bispo exorcista de sua igreja que se acha mais poderoso do que Jesus, e recebendo, no vídeo, o troco do Evangelho de Cristo. Por que o Papa Francisco não veio ao Brasil e o que o difere dos líderes evangélicos citados? Por que o crescimento dos evangélicos não melhorou o Brasil? Por que a existência de pastores ricos, e por que tanta exploração religiosa do nosso bom povo?

Retrato 3 – Na segunda-feira 29 de janeiro de 2018, o conceituado advogado britânico e conselheiro da rainha, apresentou um relatório à ONU sobre o julgamento de Lula em Porto alegre. Ele, como advogado de Lula na ONU, assistiu o julgamento e afirmou: “Foi uma triste experiência ver que normas internacionais sobre o direito de um julgamento justo não parecem ser seguidos no sistema judiciário brasileiro.” Como a crise de credibilidade chegou ao Judiciário e o que provocou isso?

Retrato 4 – O polêmico juiz federal de Brasília, Ricardo Leite, o mesmo que queria fechar o Instituto Lula, proibiu o ex-presidente de viajar para participar de um debate na Etiópia promovido pela FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura sobre a erradicação da fome no mundo, e confiscou seu passaporte, tudo a pedido do Ministério Público do DF. E, tudo indica baseado em notícias falsas (fake News) na internet. O ex-presidente mandou um vídeo, e se ouviu o seguinte comentário do diretor de comunicações da FAO: “Ironia sinistra que o articulador das políticas de distribuição de renda do país, que conseguiu, em pouco mais de uma década resgatar da pobreza extrema 36 milhões de brasileiros, reduziu a mortalidade infantil em 45%, diminuiu o número de pessoas subnutridas em 82% e tirar o Brasil do mapa da fome que a FAO produz anualmente, está prestes a ser levado à prisão.” Por que o Ministério Público e parte do Judiciário brasileiro está perdendo o poder de contenção e persegue o ex-presidente descaradamente até ao nível desse burro e vergonhoso ato?

Retrato 5 – O chefe dos promotores da Lava Jata, nosso irmão Deltan Dallagnol, aquele do famoso Powerpoint que acusou Lula de ser chefe de uma organização criminosa, em entrevista no Programa Jô Soares na Rede Globo, insistiu que se perguntasse ao auditório: “Quantos acham que a Lava Jato vai mudar o Brasil?” Resposta: uma pessoa levantou a mão. E Jô perguntou: “Quantos acham que não?” Quase todos levantaram as mãos, seguindo-se a famosa gargalhada do inteligente Jô. Por que a Operação Lava Jato, espelhada na Operação Mãos Limpas da Itália, que chegou a ter uma grande aprovação popular, está cada vez mais desacreditada?

Retrato 6 – Em 2016 milhões de brasileiros da classe média foram às ruas, convocadas pelo MBL – Movimento Brasil Livre, pedir o impeachment da Presidenta Dilma. Houve as famosas batidas de panelas em edifícios quando ela ia à TV para delírio da Rede Globo que reproduziu isso à exaustão. A resposta dos movimentos sociais com trabalhadores, camponeses e gente humilde nas ruas. Cenas exibidas abundantemente pela nossa vergonhosa mídia. O quadro da Esplanada do Ministério dividida em duas partes, uma à esquerda e outra à direita, mostrava a divisão do país. Por que, após o Golpe Parlamentar que tirou o mandato da Presidenta Dilma e colocou Michel Temer no seu lugar, todos se calam envergonhados vendo seus direitos sendo solapados, e o MBL cooptado pelo governo e pela direita, é hoje inexpressivo? E por que a Presidenta Dilma caiu?

Retrato 7 – O recente relatório da ONG  britânica Oxfam revelou que os cinco homens mais ricos do Brasil (Jorge Lemann, Josef Safra, Hermann Telles, Carlos Alberto Sucupira e Eduardo Severin) têm riqueza equivalente a metade da população mais pobre do país, isto é, cem milhões de brasileiros. Por que a desigualdade de renda no Brasil é escandalosa e iníqua, e como age o atual governo para minorar isso?

Ajudem-me a responder tais questões provocada por quadros que mostram a atual crise de credibilidade no Brasil na política, no judiciário, na economia, na religião, etc. O grande poeta e cantor Bob Dylan nos precede: “A resposta, meu amigo, está no ar.”

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.