Deus e as catástrofes

Julio Borges Filho

Diante das catástrofes, como a ocorrida no Japão, pergunta-se: Onde estava Deus que permitiu tanta destruição? Porque Ele não interveio evitando a catástrofe e tanto sofrimento humano?

Concordo plenamente com Ricardo Gondin quando afirmou que “O modelo teológico que coloca Deus no controle de um tsunami também o responsabiliza por Auschiwits, Ruanda, e pelo estupro da esquina.” Deus não está no controle de tudo. Caso contrário eliminaria a liberdade humana e as ações do homem e da natureza no mundo. Se ele tivesse o controle de tudo não precisava intervir, e suas intervenções na história humana não evitam as catástrofes, muitas guerras, e ações violentas dos homens e da natureza. Esta age e reage segundo suas leis pré-estabelecidas, e aqueles agem e reagem de acordo com sua natureza boa ou má gerando ações boas ou maléficas. Urge, portanto, sairmos do modelo grego de uma divindade controlando tudo do alto: as ações das pessoas e os eventos da terra e dos céus.

A revelação suprema de Deus em Jesus Cristo nos diz que Ele é amor e, por isso, não interveio evitando a morte de Seu Filho na cruz do Calvário. Mas, por ser amor, fez deste evento um evento redentor para a humanidade. Certa vez, numa feira do livro em Brasília, um jovem, com uma filmadora em mãos, perguntou-me: “O senhor poderia me dar uma definição de liberdade?” Eu respondi positivamente e dei uma definição. Ai ele perguntou: “O Brasil é livre”. Respondi que o é politicamente, mas ainda não econômica, social e espiritualmente. Finalmente, ele interrogou: “O senhor é livre?” E eu: “Meu filho, quem é pai não é livre porque escravo do amor.” Assim é Deus: limitou-se ao criar o mundo e os homens, e o fez por amor.

Cabe a nós aprender as lições diante das catástrofes da vida e da terra. A do Japão, com imagens estarrecedoras, já está nos ensinando muito. Uma das lições está gerando o debate sobre as usinas nucleares para geração de energia, e poderia até provocar o debate sobre a inutilidade das bombas atômicas. Tudo que gera ameaça à extinção do ser humano deve ser evitado. A agenda do meio ambiente e seus desafios continua em pleno vigor. Temos de amar a respeitar a mãe terra que nos dá vida e é tão bela, mesmo quando, enraivecida e cansada, treme provocando os tsumanes que destroem cidades e matam. Os japoneses, povo criativo e forte, aprenderão, com a ajuda de outras nações, a reconstruir tudo sem os erros anteriores.

Individualmente podemos humildemente aprender que somos pequeninos e frágeis diante da grandeza do mundo e de Deus, e que a fé cristã não nos vacina contra os males da vida, mas nos dá certeza da vitória final em Cristo. Não foi isso que Jesus nos ensinou? Disse Ele: “Estas coisas vos tenho dito para que em mim tenhais paz. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” – João 16:33.

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.