Estudos no Livro de Colossenses

Pastor Nilson Moura

Na exposição anterior fizemos a leitura de toda a carta e a introdução ao estudo, onde falei que esta carta é considerada pela maioria dos estudiosos da Bíblia como sendo um tratado cristológico, o “mais profundo dos escritos de Paulo”. Confesso que estou tendo dificuldades de sistematizar a riqueza teológica que temos em mãos (talvez porque já esteja sistematizada pelo apóstolo). Propus que estudemos o livro todo, e disse que tenho a intenção de continuar nas próximas exposições a trabalhar o livro até o fim, ou seja, estudá-lo todo. Essa carta deve ser lida paralelamente com as epístolas aos Efésios, 1ª João e a carta de Judas, (o irmão do Senhor), ambas combatem as falsas doutrinas gnósticas e judaizantes.

 

A carta é de autoria do apóstolo Paulo que se encontrava preso em Roma por causa do evangelho e que foi escrita por volta de 60-61 da era cristã.

O fundador da Igreja, segundo estudiosos e evidências internas foi Epafras (1.7; 4.12).

 

Vocês o aprederam de Epafras, nosso amado cooperador, fiel ministro de Cristo para conosco “convosco”.

Epafras que é um de vocês e servo de Cristo Jesus, envia saudações. Ele está sempre batalhando por vocês em oração, para que, como pessoas maduras e plenamente convictas, contunuem firmes em toda a vontade de Deus.

 

Na ocasião falei que o propósito da carta era basicamente dois: (1) dar ânimo aos irmãos pelo crescimento espiritual (1.3-8), e (2) despertar os cristãos sobre as “ameaças” das falsas doutrinas do paganismo e da judaização da época. Quais eram as ameaças? Eram: o gnosticismo, a judaização da igreja, o misticismo sincrético, e o ascetismo extremado. Os mestres da época ensinavam que graça e a fé em Cristo não eram suficientes para a salvação (1.9-14).

 

Segundo o teólogo e escritor Hernandes Dias Lopes, no seu livro Colossenses – A suprema grandeza de Cristo, o cabeça da igreja, havia três doutrinas cristãs sendo atacadas pela heresia gnóstica e pela judaização:

 

1. A doutrina da Criação – Se Deus é espírito e eternamente bom, não poderia ter criado a matéria essencialmente má. Consequentemente, Deus não é o criador do mundo, diziam os gnósticos. As emanações de Deus é que criaram o mundo.

 

2. A doutrina da encarnação de Cristo – Se a matéria é essencialmente má e Jesus Cristo é o Filho de Deus, então este não teve um corpo de carne e ossos, diziam. Jesus era uma espécie de fantasma espiritual. Eles chagavam a afirmar que, quando Jesus caminhava na praia, não deixava rastro na areia. Desta forma, os gnósticos negavam tanto a divindade quanto a humanidade de Cristo.

 

3. A doutrina da santificação – A teologia sempre desemboca na ética. Os que dizem: “não me importo com o que você acredita, desde que viva corretamente” não racionam com lógica. As convicções determinam o comportamento. Doutrinas erradas geram um modo de vida errado, afirma Warren Wiersbe. A heresia sempre leva a perversão. Os gnósticos diziam: Se a matéria é má, logo nosso corpo é mau. E se nosso corpo é mau, devemos adotar uma de duas atitudes: afligi-lo, caindo no ascetismo. Ou ignorá-lo, caindo na teia da licenciosidade.

 

O conteúdo da carta é em defesa da verdadeira cristologia, ou seja, é uma defesa apologética da pessoa e obra de Jesus Cristo. A carta também expõe a falsa doutrina judaico-gnóstico. Os judaizantes diziam que era necessária a observação das leis e dos ritos judaicos. Os gnósticos ensinavam que a salvação podia ser realizada por meio da “gnose”, do conhecimento e não pela graça de Deus mediante a fé em Cristo (Ef 2.4-10). Os gnósticos criam que somente os iniciados “os esotéricos” podiam chegar a esse conhecimento da luz e das trevas para salvação.

 

Hernandes Dias Lopes, afirma ainda em sua obra:

 

O ponto nevrálgico da heresia gnóstica é que eles pensavam que a matéria em si fosse essencialmente má, razão pela qual Deus sendo santo, não poderia criar o universo. Os anjos, diziam eles, eram os criadores da matéria. Um Deus puro não tinha comunicação direta com o homem pecador, mas se comunicava com ele por meio de uma cadeia de anjos intermediários, que formavam quase uma escada da terra ao céu. Os gnósticos diziam que é impossível que aquele que é essencialmente santo possa ter comunhão com aquele é essencialmente mau.

 

Em nossa época, estamos revivendo o que podemos chamar de neognosticismo e a neojudaização com várias doutrinas, tanto fora da igreja quanto dentro da igreja. Como pano de fundo vou trazer algumas delas para nos ajudar a fazer uma leitura interpretativa da carta em tela. As seitas ascetas que tem uma filosofia de vida de cunho ascético ensinam um refreamento dos prazeres mundanos e de austeridade com a vida, ensinam a busca da espiritualidade por meio da purificação do corpo e da alma geralmente por meio do autoconhecimento e pela mortificação do prazer em busca de uma vida virtuosa. Esse neognosticismo fora da igreja tem seus “gurus” que negam a deidade e a divindade, negam humanidade de Jesus Cristo. Dentro da igreja elegem um Jesus Cristo “guru” que é somente valorizada sua divindade e não a sua humanidade. Contrariando a revelação bíblica que ensina que Jesus Cristo em sua vida terrena foi completamente humano e plenamente divino. O animismo tem crescido muito no Brasil. O animismo é o culto da natureza e dos espiritos que infuenciam a natureza. Em sua maioria são panteístas, ou seja, diz: que tudo é Deus e Deus é tudo – não distinqui o criador da criatura. Não há uma teologia da trindade (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo) entre essas seitas e religiões, mas existe um “deus” único e impessoal.

 

Falei ainda sobre o perigo das doutrinas: Budista, Hinduista, espírita, todas elas com uma teologia que nega a suficiência de Cristo para a Salvação e de doutrina panteísta (tudo é Deus e Deus é tudo). Uma teologia que afirma um “deus” uno e impessoal e uma doutrina do carma e reecanacionista. Por exemplo: para o espiritismo Jesus é apenas um grande exemplo. Ele é como um de nós apenas é um espírito mais evoluído. Na doutrina espírita Jesus é apena um guia de luz e não O salvador do mundo.

 

Assim, não se poder ser cristão e ser budista, ser cristão e ser hinduista, ser espirita e ser cristão, ou ser praticante do judaismo e se dizer cristão. Essa prática é chamada de sincretismo religioso. Devemos respeitar as pessoas que escolhem outra doutrina, mas não podemos negar que só há salvação em Jesus Cristo. “Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos trasportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a rendenção, a saber, o perdão dos pecados”, pois se assim não for estaremos negando a verdadeira doutrina da morte e ressurreição de Cristo e consequentemente, a nossa morte e ressurreição com Ele.

 

Exposição da Carta aos Colossenses.

 

1. As credenciais do apóstolo Paulo – ele é apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus (1.1).

 

2. As credenciais dos crentes/cristãos de Colossos – eles são santos e fiéis em Cristo (1.2).

 

As virtudes da Igreja:

 

1. Fé em Cristo Jesus (v4);

2. Amor para com todos os santos (v4);

3. Esperança na vida eterna (v5);

4. Conhecimento da Palavra da verdade (v5) – o evangelho.

 

A Supremacia de Cristo (1.13-20): é a sua credencial.

Podemos então responder a seguinte pergunta: Quem é Jesus?

 

Ele é o Filho amado de Deus que nos resgatou “tirou, arrancou” do império das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado. Silas Alves Falcão afirma: “Ele não é um Deus, mas o Filho de Deus”. As testemunhas de Jeová, os neognósticos e os espiritas não aceitam que Jesus seja o Filho de Deus, mas apenas uma emanação de Deus. Para os cristãos Jesus é o Filho de Deus que nos libertou das trevas, nos concedendo a redenção e a remissão dos pecados pela cruz (1.13-14).

 

Ele é a imagem do Deus invível (v15) // 1Tm 6.16 // 1 Jo 1.1-4 // Hb 1.3-4.

Ele é o primogênito “gerado não criado” é a ideia de “unigênito” de toda a criação (v 15) // Cl 2.9-10.

Ele é o criador de todas as coisas (v 16) // Jo 1.1-3.

Ele é antes de todas as coisas e todas as coisas subsistem por ele (v 17).

Ele é a cabeça da igreja – que é o seu corpo (v 18).

Ele é o princípio o primogênito de entre os mortos (v 18).

Ele é a primazia e a preeminência de Deus (v 18)

Ele é toda a plenitude da Deidade/da Divindade (v 19 e 2.9), ou seja, Jesus Cristo é Deus revelado na sua plenitude “pleroma” // João 1.18 // Jo 14.8-10 e // Jo 10.3.

Ele é o promotor da paz e da reconciliação consigo mesmo de todas as coisas nos céus e na terra (vv 20, 22).

 

A suprememacia de Cristo destroi toda e qualquer pretensão dos “gurus” que dizem ter recebido uma revelação direta de Deus ou de “deseus” para trazer uma nova revelação e um outro meio de salvação para o ser humano. Quem acredita assim esta cometendo um engano e uma tremenda falácia. Hernades Lopes diz: “que quiser saber quem é Deus olhe para Jesus”. O apóstolo Pedro afirma em – Atos 4.11-12, na sua a primeira defesa contudente de Jesus:

 

Este Jesus é a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular. Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dada aos homens pelo qual devemos ser salvos. (NVI).

 

Diante do que vimos quero trazer como exemplo de falsa teologia, o conceito de Deus das testemunhas de Jeová. Não o faço de maneira exaustiva, mas apenas pontual e para que os irmãos tenha curisidade de estudar mais esses temas. O Livro das Religiões, do autor de O mundo de Sofia – Victor Hellern, Henry Notaker e Jostein Gaarder, páginas 113-14 e Falsas Doutrinas – seitas e religiões, do PhD em Engenharia Mecânica e escritor religioso, o Prof. Felipe Aquino, trazem algumas informações importante, as quais faço um resumo não exaustivo e apenas dos pontos mais salientes:

 

(a) Não há nenhum credo, (b) Enfatizam o nome de Jeová-Deus (Iahweh), (c) Testemunhas de Jeová vem de Isaías 43.10, (d) Não acreditam na doutrina da Trindade, (e) Jesus é a primeira criação celestial, tornou-se Jesus Cristo, e o Espirito Santo é a força invísivel, ativa de Deus “não é uma pessoa é uma força”, (f) Os mortos não têm consciência, mas há esperança de ressurreição para eles e o mal será banido para sempre, (g) Acreditam que o reino de Deus será de 144 mil e Jesus Cristo (são duas classes de salvos: os 144 mil vitoriosos e os “Jonadabs” que ficarão na terra e os não salvos serão aniquilados (h) Acreditam que as profecias e os acontecimentos mundiaias indicam iminência do reino de Deus e expulsão de Satã e de todo mal, bem como transformação da terra num paraíso para os fiéis de Jeová-Deus, (i) Recusam-se a servir o Exército, (j) Adotam em tese uma vida ética e puritana e (l) A única coisa que pode trazer a salvação são os ensinamentos de sua Igreja, por isso são contrárias a todas as formas de religiões existentes (inclusive protestantismo e catolicismo, (m) não aceitam a transfuzão de sangue por acreditarem que o sangue é a vida.

Conclusão – É necessário que conheçamos com profundidade as doutrinas cristãs e as doutrinas falsas para que não sejamos enganados como é dito em Cl 2.8:

 

Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. (NVI)

 

E que Jesus Cristo é Supremo sobre qualquer que seja  a autoridade, principados e potestades, tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele é o Senhor de tudo e de todos.

Nilson Pereira de Moura

Sobre Nilson Pereira de Moura

Nilson Pereira de Moura nasceu em 1957 na cidade de Posse-GO. É casado há 25 anos e pai de três filhos. É bacharel em Teologia, com concentração em Ministério Pastoral, pela Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB (1999). Ordenado ao Ministério Pastoral pela Igreja Cristã de Brasília, em 09 de dezembro de 2001, em Concílio presidido pelo Pastor Júlio Borges de Macedo Filho. Foi posteriormente aprovado em Concílio Especial de reconhecimento de exame realizado pela ICB pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, em 22 de setembro de 2009. Pastoreou como membro do Colegiado de Pastores na Igreja Batista do Jardim Paquetá, na cidade de Planaltina de Goiás, no período de março de 2008 até 13 de novembro de 2010, período que julga de extrema relevância para o seu Ministério Pastoral. Após essa experiência gratificante retornou à Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF (PIBS), onde ocorreu sua conversão em dezembro de 1980 e batismo em 23 de agosto de 1981. Permaneceu como pastor membro na PIBS de 14 de novembro de 2010 até 19 de julho de 2011, quando resolveu retornar à equipe pastoral da Igreja Cristã de Brasília em 24 de julho de 2011, onde foi recebido com grande alegria e unanimidade. É muito grato a Deus pela experiência adquirida na caminhada cristã. Em 18 de agosto de 2013 foi recebido como membro efetivo na Primeira Igreja Batista de Sobradinho – PIBS/DF. No dia 30 de novembro de 2014 retornou à Equipe Pastoral da ICB de copastor. Em 19 de abril de 2015 por aclamação, retornou a PIBS, na qualidade de membro efetivo. Servidor público federal, aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, onde ingressou em 03 de janeiro de 1979. Atuou na Área de Gestão de Pessoas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda-SPE/MF, e na Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento – SPU/MP, no assessoramento técnico da ASTEC, em gestão de Pessoas. Posteriormente, exerceu a função de parecerista na Secretaria de Recursos Humanos – SRH/MP, tendo encerrado a sua participação no MPR na Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, onde exerceu os cargos de Assistente, Assessor Técnico e Chefe de Divisão por vários anos. Encerrou sua carreira no IPEA ocupando a atribuição de Auditor substituto, na Auditoria Interna do órgão. Em paralelo, exerceu o cargo de Diretor de Administração e Finanças da Associação dos Funcionários do IPEA-AFIPEA, cargo pelo qual foi eleito para o Biênio 2011/12, acumulando também o cargo de Secretário-Executivo da AFIPEA-SINDICAL. Cargos exercidos até 30 de maio de 2013.