Feliz Natal

Por Nilson Pereira de Moura, bacharel em teologia e pastor da equipe pastoral da ICB

 

Em uma das celebrações do natal que participei, foi perguntado aos presentes o que significava o natal. Surgiram várias respostas. As mais comuns foram: é uma celebração em família, é um momento de solidariedade humana e de esperança de Deus na vida, é um momento de grande alegria e de amor ao próximo – pobres e ricos, é um misto de chateação e tristeza pela manipulação consumista e pela perda do verdadeiro sentido da celebração do nascimento de Jesus Cristo. Enfim, foram muitas a respostas. Mas, o que a Bíblia responde sobre a pergunta? O profeta Isaias anteviu o que seria quando escreveu – Isaías 9,1-7:

 

Entretanto, não haverá escuridão para a que estava aflita. Em tempos passados, ele humilhou a terra de Zebulom e a terra de Naftali, mas no futuro fará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia dos gentios. O povo que andava em trevas viu uma grande luz; e resplandeceu a luz sobre os que habitavam na terra da sombra da morte. Tu multiplicaste este povo e lhe aumentastes a alegria; todos se alegrarão diante de ti, como se alegram na colheita e como exultam quando se repartem os despojos. Pois quebraste o jugo da sua carga e a canga do seu ombro, que é a vara de castigo do seu opressor, como foi no dia de Mídiã. Porque todo calçado pesado de guerreiro e toda capa encharcada de sangue serão queimados, destruídos pelo fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi concedido. O governo está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. O seu domínio aumentará, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para estabelecê-lo e firmá-lo em retidão e em justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso”.

 

Como a sociedade pós-moderna vê o natal? – Uns o vê como a festa do velhinho, outros o vê como festa do Cristo e outros, o sincretizam.

 

Um é o natal do velhinho – Sujeito mágico, bonachão e muito caridoso – símbolo do capital invertido, porque o capital não é caridoso, nem bonachão e muito menos mágico. Tudo é dinheiro.

 

No capitalismo vale a regra, você tem dinheiro você compra e não você o ganha. O que acontece na verdade é uma troca de presentes ou de interesses. Cria-se um verdadeiro frenesi de consumo na sociedade. Pessoas se endividam para realizar a vontade do velhinho, do Papai Noel, que se transforma em um sujeito mágico, faz aparecer presentes do nada. Cria-se uma ilusão, basta desejar e logo acontecerá o que se desejou, é “vapt-vupt”. Se me pedissem para dar um adjetivo ao Papai Noel – eu diria que o Papai Noel é um ladrão. Ladrão do verdadeiro sentido do nascimento de Jesus Cristo. Ele o Transformou em uma ilusão e em uma festa do consumo: álcool, carnes e muitos presentes. Esse é o natal na versão do capitalismo.

 

Outro é o natal de Jesus Cristo – Nascido numa manjedoura para salvação da humanidade, em especial, daquele que N’ele tem fé. (diferente de crença). O livro de Mateus 2,11 relata o encontro dos “magos ou pastores” com Jesus Cristo, informando que: “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra”.

 

O natal de Jesus Cristo é a celebração do nascimento do Salvador do mundo. A atitude dos “magos”, que são astrônomos e não astrólogos como muitos pensam, foi de prostração e adoração como reconhecimento da realeza, da divindade e da qualidade de profeta de Jesus Cristo. Os três presentes trazidos para saudar o nascimento de Jesus de Nazaré significavam:

 

  1. Ouro: Era o reconhecimento de Jesus como rei. Ouro era dado de presente de um rei a outro rei como forma de aliança. Os súditos presenteavam com ouro ao seu rei. O ouro simboliza realeza.
  2. Incenso: Era o reconhecimento de que esse rei era divino. O menino é divino porque é manifestação de Deus ao povo “teofania”. O incenso era usado em continua adoração ao Senhor Deus. A divindade de Jesus é reconhecida antecipadamente.
  3. Mirra: A mirra simbolizava a dádiva dada a um profeta, e ao mesmo tempo significando que esse profeta morreria injustamente. A mirra era usada no embalsamamento e no sepultamento.


    Lucas, o médico, entendeu que Jesus Cristo é o cumprimento da profecia de Isaías 9,1-7, ele escreve que o nascimento de Jesus é acompanhado de grande alegria e louvor a Deus pelos anjos e pelos homens – Lucas 2,8-20:

     

    Naquela mesma região havia pastores que estavam no campo, à noite, tomando conta do rebanho. E um anjo do Senhor apareceu diante deles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; e ficaram com muito medo. Mas o anjo lhes disse: Não temais, porque vos trago novas de grande alegria para todo o povo; é que hoje, na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E este será o sinal para vós: achareis um menino envolto em panos, deitado em uma manjedoura. Então, de repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu junto ao anjo, louvando a Deus dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem ele ama. E logo que os anjos se retiram, indo pra o céu, os pastores disserem uns aos outros: Vamos já até Belém para ver isso que aconteceu e que o Senhor nos revelou. Foram, então, com toda pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura (coxo); e, vendo-o, contaram a todos o que lhes havia sido dito sobre o menino; e todos os que ouviam os pastores ficavam muito admirados. Maria, porém, guardava tos essas coisas, meditando sobres elas no coração. E os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinha visto e ouvido, como lhes fora falado”.

     

    Por fim, o natal pode ser uma celebração em família, um momento de solidariedade humana e de esperança de Deus na vida, um momento de grande alegria e de amor ao próximo – pobres e ricos, pode até ser um misto de chateação e tristeza pela manipulação consumista e pela perda do verdadeiro sentido da celebração do nascimento de Jesus Cristo. Mas, vou deixar que cada um faça sua conclusão sobre qual natal vai festejar. O natal do velhinho ou natal de Jesus. Cada um diga a si mesmo o que significa o natal. Termino transcrevendo uma bela e maravilhosa canção:

    Nas estrelas vejo, a Sua mão
    E no vento eu ouço a Sua voz
    Deus domina sobre terra e mar
    O que Ele é prá mim.
    Eu sei o sentido do Natal
    Pois na história tem o seu lugar,
    Cristo veio para nos salvar,
    Mas o que Ele é prá mim,
    Até que um dia o Seu amor senti
    A sua imensa graça eu recebi
    Descobri que Deus não vive
    Longe lá no céu,
    Sem se importar comigo,
    Mas agora ao meu lado está
    Cada dia eu sinto o seu cuidar,
    Ajudando-me a caminhar
    Tudo Ele é prá mim
    ”.

     

    DESEJO UM FELIZ E VERDADEIRO NATAL EM JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR E SALVADOR.

    Sitio: www.igrejacristadebrasilia.com.br

    Nilson Pereira de Moura

    Sobre Nilson Pereira de Moura

    Nilson Pereira de Moura nasceu em 1957 na cidade de Posse-GO. É casado há 25 anos e pai de três filhos. É bacharel em Teologia, com concentração em Ministério Pastoral, pela Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB (1999). Ordenado ao Ministério Pastoral pela Igreja Cristã de Brasília, em 09 de dezembro de 2001, em Concílio presidido pelo Pastor Júlio Borges de Macedo Filho. Foi posteriormente aprovado em Concílio Especial de reconhecimento de exame realizado pela ICB pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, em 22 de setembro de 2009. Pastoreou como membro do Colegiado de Pastores na Igreja Batista do Jardim Paquetá, na cidade de Planaltina de Goiás, no período de março de 2008 até 13 de novembro de 2010, período que julga de extrema relevância para o seu Ministério Pastoral. Após essa experiência gratificante retornou à Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF (PIBS), onde ocorreu sua conversão em dezembro de 1980 e batismo em 23 de agosto de 1981. Permaneceu como pastor membro na PIBS de 14 de novembro de 2010 até 19 de julho de 2011, quando resolveu retornar à equipe pastoral da Igreja Cristã de Brasília em 24 de julho de 2011, onde foi recebido com grande alegria e unanimidade. É muito grato a Deus pela experiência adquirida na caminhada cristã. Em 18 de agosto de 2013 foi recebido como membro efetivo na Primeira Igreja Batista de Sobradinho – PIBS/DF. No dia 30 de novembro de 2014 retornou à Equipe Pastoral da ICB de copastor. Em 19 de abril de 2015 por aclamação, retornou a PIBS, na qualidade de membro efetivo. Servidor público federal, aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, onde ingressou em 03 de janeiro de 1979. Atuou na Área de Gestão de Pessoas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda-SPE/MF, e na Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento – SPU/MP, no assessoramento técnico da ASTEC, em gestão de Pessoas. Posteriormente, exerceu a função de parecerista na Secretaria de Recursos Humanos – SRH/MP, tendo encerrado a sua participação no MPR na Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, onde exerceu os cargos de Assistente, Assessor Técnico e Chefe de Divisão por vários anos. Encerrou sua carreira no IPEA ocupando a atribuição de Auditor substituto, na Auditoria Interna do órgão. Em paralelo, exerceu o cargo de Diretor de Administração e Finanças da Associação dos Funcionários do IPEA-AFIPEA, cargo pelo qual foi eleito para o Biênio 2011/12, acumulando também o cargo de Secretário-Executivo da AFIPEA-SINDICAL. Cargos exercidos até 30 de maio de 2013.