MANISFESTO ICB 2014: PRUDÊNCIA E SIMPLICIDADE

“Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos; sede, portanto, prudentes/astutos como as serpentes e símplices como as pombas” – Mateus 10:16

  1. A Igreja Cristã de Brasília, diante das eleições deste ano no Brasil que escolherão presidente da República, governadores dos Estados e do DF, senadores, deputados federais e distritais, manifesta suas preocupações e orientações inspiradas nas palavras de Jesus Cristo sobre a nossa louca missão no mundo: “Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos; sede, portanto,  prudentes/astutos como as serpentes e símplices como as pombas.” É loucura enviar ovelhas para o meio de lobos, mas nunca devemos esquecer que o Bom Pastor estará conosco, e isso basta para nos proteger.
  1. “Não havendo profecia o povo se corrompe”Provérbios 29:18.

Eleições são essenciais numa democracia representativa, mas elas podem ser manipuladas, e mais: os eleitores podem ser enganados ou levados a votar mal elegendo representantes errados para exercerem o poder em seu nome. Por isso é necessário uma palavra profética de alerta para que nossos olhos sejam abertos.

  1. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz, e  alegria no Espírito Santo”.  Romanos 14:17

Não basta ao candidato se confessar cristão ou evangélico se não tem vocação política, e se não tem demonstrado em sua história de vida o compromisso com os ideais de justiça, paz e alegria do Reino de Deus. Não basta a ele ou ela ser um profissional da política, mas que tenha realmente o desejo de usar o poder para servir o povo, especialmente os mais injustiçados e desfavorecidos. Rubem Alves afirmou que “de todas as vocações, a vocação política é a mais nobre porque busca o bem comum, e de todas as profissões, a profissão política é mais vil”. 

  1. Eis um bom perfil de um candidato ou candidata ao mandato político:

1)       O político deve ser consciente da sua vocação. Fazer política, para ele, não é a busca de poder pelo poder (vaidade), ou a busca do poder pra se servir (corrupção), ou, finalmente, a busca do poder para dominar os outros (opressão). Sua ação política será sempre uma resposta consciente ao chamado que Deus e a vida lhe fazem para que se ponha a serviço do povo na construção de um futuro que consulte as suas reais necessidades e aos seus mais legítimos interesses.

2)      O político vê o mandato recebido como um privilégio perturbador e uma grande responsabilidade assumida diante do seu Deus que o vocacionou e diante do povo que o escolheu para tanto. Sua palavra deve ter peso nos  compromissos assumidos e nas promessas feitas.

3)      O político deve ser comprometido com a democracia como governo do povo, com o povo, para o povo, o que lhe dá o entendimento de que seu mandato deve ser transparente e participativo.

4)      O político deve ter um compromisso radical e    incondicional com os princípios e ideais do Reino de Deus (justiça, paz, e felicidade para todos), mesmo que não tenha consciência disso, aos quais todos os seus outros compromissos devem estar subordinados.

  1. Exortamos a todos à prática cristã da cidadania que exige:

1)      Participação do poder comunitário porque a cidadania começa a ser exercida na comunidade onde moramos, e depois estendida a todas as áreas de nossa convivência onde deveres e direitos são afirmados;

2)      Convivência com os diferentes – Não podemos nos isolar num monasticismo intra-mundo, mas temos que nos relacionar e agir com outros que são diferentes de nós.

3)      Construção da história – A ação cidadã cristã implica no exercício do poder de educar para a cidadania (e isso revolucionaria os programas de educação cristã de nossas igrejas porque casaria as verdades bíblicas com a leitura da realidade), a participação ativa na construção da história da comunidade, da cidade, do estado, do país e do mundo.

  1. “Venha o Teu Reino; faça-se a Tua vontade assim na terra como no céu” – Mateus 6:10

Como cristãos nunca devemos absolutizar pessoas, partidos políticos, ideologias, governos ou instituições humanas. Absoluto só Deus. Por isso, embora procuremos o melhor para nosso povo, sabemos que só o Reino de Deus em Cristo responderá totalmente todos os nossos anseios e satisfará todas as nossas legítimas necessidades. É nossa tarefa aproximar tanto quanto possível o Reino de Deus do reino dos homens. Busquemos, pois, o equilíbrio em nossas opções políticas. 

  1. E, finalmente, reafirmamos a nossa convicção de que Deus dirige a história; que nossa missão no mundo deve ser de pessoas prudentes e sagazes como as serpentes sem sermos maldosos, e simples como as pombas sermos ingênuos; e que votar bem é um dever de todos e afirmação de nossa cidadania como brasileiros num país que carece de lideranças políticas honestas e capazes.

 

Igreja Cristã de Brasília

     SDS Edf. Venâncio III sala 114

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