A I G R E J A Q U E C R E S C E – Atos 9:31

Sermão especial para 25º aniversário ICB

Pastor Julio Borges Filho

INTRODUÇÃO:

Se há uma ênfase exagerada no meio evangélico é sobre o crescimento da igreja. Sacraliza-se métodos e abusa-se dos meios: meios de comunicação, igreja em células, igreja com propósito, curas, etc. E as igrejas incharam e adoeceram, mas não cresceram. Aumento de número de membros não significa necessariamente crescimento.

– O evangelista Lucas, que era médico, descreve num só versículo em Atos dos Apóstolos (9:31). “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número“   Aí está receita histórica do Lucas, o médico amado. Examinemo-la.

I – TEM UMA VISÃO DA UNIDADE E DA DIVERSIDADE DA IGREJA – “A Igreja…” (texto alexandrino) ou “as Igrejas…” (texto oc. e antioquino)

  1. Unidade: A Igreja de Cristo é uma só – “E haverá um só rebanho e um só pastor” “Para que eles sejam um… para que o mundo que tu me enviaste”. A afirmação e a oração de Jesus expressam isso claramente. – – Em Efésios 4:12-16 o Apóstolo Paulo defende a unidade na diversidade em busca da perfeita humanidade em Cristo Jesus.O sonho de João Wesley é expressivo. Ele à frente do movimento metodista na Inglaterra achava que todas as igrejas deveriam ser metodistas, mas Deus lhe falou num sonho. Ele sonhou chegando ao Inferno e perguntando ao diabo secretário na recepção: Aqui tem metodista, batista, presbiteriano, anglicano, católico? O diabo responde que todas as denominações tinham representantes lá. Frustrado ele foi elevado ao Céu onde bem recebido pelo anjo secretário. Perguntou então: “Aqui tem católicos, presbiterianos, batistas, anglicanos e metodistas?” O anjo responde: “Não”. Decepcionado Wesley pergunta: “Para onde foi essa gente?” Resposta conclusiva do anjo: “Essas divisões são de vocês na terra. Aqui só temos pessoas de vestes brancas lavadas no sangue do Cordeiro”. Tal lição levou o grande homem de Deus à defesa da unidade da Igreja.
  2. Diversidade: As igrejas são muitas…
     – Precisamos uma das outras para nos completar e expressar a beleza do corpo de Cristo. Ilustração: Os atos salvíficos de Jesus Cristo (Encarnação, Igreja Católica Romana; Morte na cruz, Protestantes; Ressurreição, Igreja Ortodoxa; Ascenção, Reformados; Pentecostes, Pentecostais; e Segunda vinda, Adventista)
    Sem as igrejas locais a Igreja Invisível e Universal não teria concretude histórica. Aqueles devem reproduzir visivelmente a realidade desta. Quando estive no Congresso Mundial Lousanne II em Manila, Filipinas, vi isso claramente. Cerca de 180 países representados ali. A música com um regente, um pianista cego norte americano, um tambor africano e um violão indiano me emocionava. No cântico “Aleluia… Ele vive… Ele volta…” cantado na diversidade de línguas do mundo por duas mil pessoas levou-me às lágrimas. Era um vislumbre do céu na terra.

 II – CRESCE EM PAZ – “Tinha paz…”

  1. Paz externa – Cessaram, por um temor as perseguições. E na paz exterior, a igreja crescia. Um pastor oriental visitando o Brasil falou das perseguições religiosas no seu país. Após o testemunho, um pastor brasileiro lhe perguntou: “Será que a igreja fosse perseguida assim no Brasil seríamos um melhor igreja?” A resposta veio dura: “Talvez vocês não são perseguidos porque não são uma melhor igreja”. A paz externa é ilusória, mas mesmo assim a igreja precisa crescer em quantidade e qualidade. 
  1. Paz interna – Nada de divisões e de brigas. Alguém já disse que briga de crente é como briga de gatos: sempre aparece um filho”. Igrejas fruto de divisão não são saudáveis porque o bem mais valioso da igreja é a sua comunhão. O mundo dizia da Igreja Primitiva: “Vede como eles se amam”. E Jesus disse que o amor fraterno é o sinal do cristão. “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverem amor uns para com os outros. A comunhão da igreja é um milagre de deus num mundo dividido.

 III – CRESCE EDIFICANDO-SE

  1. O desenvolvimento dos dons é essencial

– Segundo Paulo há três tipos de dons dados pelo Espírito à igreja: Os dons de ministério – apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4); os sete dons básicos sem os quais a igreja não pode viver – profecia, ministério, ensino, exortação, contribuição, liderança, misericórdia (Romanos 12); e os dons de manifestação – operadores de milagres, dons de curar, socorros, línguas, interpretação de línguas, discernimento espiritual (1 Coríntios 12).

– Tudo com vistas à edificação de todos objetivando uma nova humanidade à semelhança de Jesus Cristo.

  1. Vivendo a Lei da mutualidade cristã

– “Amai-vos uns aos outros…”, “Levai as cargas uns dos outros…”, “Perdoai-vos mutuamente…”, “Orai uns pelos outros…”, “Alegrai-vos uns com os outros…”, Chorai uns pelos outros…”, etc

– Quando um está fraco sempre há um que está forte para ajuda-lo: “Levanta, meu irmão!”

IV – CRESCE CAMINHANDO

  1. No temor de Cristo

Temer ao Senhor é obedecê-lo. As grandes comissões escritas por Mateus, Marcos, Lucas e João se completam. Ei-las: 1) Mateus 28:18-20 – “Toda a autoridade me é dada no céu e na terra. Ide (Indo), portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias  até à consumação dos séculos”, 2. Marcos 16:15 e 16 – “Ide (Indo) por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” 3. Atos 1:8 (Lucas) – “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” 4. João 20:21 – “Paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”.

Em suma, caminhar com Deus como Jesus: “A minha comida e a minha bebida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” – João 4:34.

  1. E no conforto do Espírito Santo

– O conforto do Espírito é encorajamento constante. Barnabé foi apelidado de Filho da consolação porque foi um encorajador de igrejas (a de Jerusalém e a de Antioquia e outras), do Apóstolo Paulo e de um jovem chamado João Marcos. É também o Espírito que nos dá poder na caminhada. O nosso caminho no mundo não é um caminho vão, sem direção. É um caminho missionário.

– Parar, jamais!… “Por que clamas a mim, Moisés? Dize aos filhos de Israel que marchem”. Retornar ao Egito, nunca!… O mar há de se abrir, os obstáculos serão superados. A palavra “bem-aventurança” em hebráico significa ir para frente. Bem-aventurado é o que anda com Deus como Enoque, o que peregrina como Abraão. Para caminhar bem é preciso ter certeza de que o Senhor caminha junto (Ele prometeu que na caminhada missionário estaria conosco até à consumação dos séculos) e que o Seu Espírito nos encoraja a caminhar.

 

CONCLUSÃO:

– Em Vitória do Espírito, num só domingo, preguei em duas igrejas batistas: uma de seis mil membros e a outra de 150 membros. No segundo culto da igreja grande, preguei às 17 horas, e na igreja menor preguei às 20 horas. Saudei o povo desta última assim: “Acabo de pregar no igreja grande, e agora vou pregar numa grande igreja.”

– Hoje estamos diante de uma pequenina igreja (rebanho) cuja membresia pode-se contar nos dedos das mãos. Mas aqui está uma grande igreja pois tem a visão da unidade da igreja de Cristo, vive em paz, edifica-se enquanto caminha. Está, pois, no caminho certo para um crescimento numérico saudável e de qualidade. Por isso também hoje deixo tranquilo o seu pastorado deixando-o nas mãos de um pastor mais jovem.

 

Pregado:

  1. Na ICB, em 28.09.2014 à noite – Jubileu da Prata ICB
Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.