A IGREJA QUE AGRADA A DEUS

Texto: João 17.20-26

Proposição: A Igreja que agrada a Deus é uma igreja que ama e vive a unidade na proclamação do seu Reino.

O capítulo 17 de João é um desafio. Ele trata do sonho de Jesus para sua igreja. Viver o sonho de outro é muito difícil, mas não é impossível. Jesus orou por si mesmo pedindo que o Pai o glorificasse junto dele mesmo e para que os discípulos conhecessem o Deus verdadeiro e soubessem que ele era o enviado do Pai (17.1-5). Orou por seus discípulos pedindo ao Pai que os guardassem do mundo e que os mantivessem em unidade (17.6-19). Orou pelos discípulos do futuro pedindo que entendessem a importância da unidade do corpo (17.20-26).

A partir do versículo 20 falarei sobre a igreja que agrada a Deus. Estou consciente que as palavras de Jesus Cristo são sempre novas. Essa é a novidade da palavra de Deus.

Em Mateus (6.9-13) Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos a orarem não como os hipócritas que gostavam de serem vistos nas sinagogas e nas esquinas. Cada discípulo deveria orar no silêncio e no secreto do seu quarto (Mt 6.6). Ele ensinou na oração o que Pai deseja ouvir, dizendo:

Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do maligno, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.

O autor do Evangelho achou por bem acrescentar na oração de Jesus o verso 14 dizendo: “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas”. A oração do Pai-nosso aparece também em Lucas 11.2-4 de forma mais sintética. Lucas anota somente o essencial:

Pai! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano. Perdoa-nos os nossos pecados, pois também perdoamos a todos os que nos devem. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do maligno.

O evangelho segundo João não registra a oração do Pai-nosso, mas traz uma oração de Jesus ao Pai manifestando sua comunhão com Ele, com seus discípulos e com todos os que virão a crer no Reino de Deus. Essa oração vem depois de um longo período de ensino de Jesus que João coloca nos capítulos 12.20 a 17.26. Sugiro que, os irmãos em suas reflexões devocionais leiam os capítulos destacados para melhor compreensão da oração de Jesus registrada no capítulo 17. A igreja que agrada a Deus exerceu seu papel no passado. Exerce seu papel no presente. Exercerá seu papel no futuro. Jesus disse em Mateus 16.18 “as portas do inferno não poderão vencê-la”. A ideia é que a igreja invade e derruba as portas do inferno e não fica acuda esperando o inferno vir até ela. A igreja é ativa e não passiva diante do mundo. Jesus disse que a igreja é sal e luz para o mundo “vocês são sal e luz”. (Mateus 5.13-16).

A igreja do presente inclui esta igreja como parte do Corpo de Cristo. Então, é de sua competência agradar a Deus manifestando o seu Reino aqui e agora. Ela precisa ser a voz de Deus neste tempo. Como? É simples. Ela precisa apenas obedecer a Jesus Cristo. Manifestando seu Reino ao mundo de forma simples e poderosa, sendo unida, amando e perdoando uns aos outros.

Jesus ao terminar a oração em favor de seus discípulos, afirma nos versos 18-19: “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade”. Em seguida, Jesus incluiu os que viriam crer Nele por meio da mensagem de seus discípulos. Nós, somos os discípulos que Jesus sonhou. No verso 20 Jesus disse: “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles”. O propósito de Jesus é que sejamos portadores de uma mensagem para todos – em qualquer tempo e em qualquer lugar. Qual mensagem ele quer que transmitamos como igreja que agrada a Deus? A resposta está no capitulo 13.34-35 em que Jesus dá um novo mandamento aos discípulos, dizendo: “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. (NVI).

Esta é a marca e o sinal da presença de Jesus na sua igreja. O amor. É o amor que vai determinar e cimentar a unidade da igreja. Ele mesmo desejou a unidade do seu Corpo quando disse no versículo 21: “para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também esteja em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”.

A igreja como corpo de Cristo precisa manifestar o amor e a unidade ao mundo. Como chegar a esta unidade? Será que devemos ser uniformes? Claro que não! Porque ele mesmo concedeu dons no seu corpo. Em Efésios 4.1-16 Paulo escreveu sobre a unidade do corpo e afirma nos VV 10-13, 16:

Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas. E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelista, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, a ação da “diaconia”, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo […] Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxilio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.

Apóstolo Paulo interpretou de forma brilhante a oração de Jesus para o tempo. Nós, também, precisamos interpretá-la e testemunhar às pessoas do nosso tempo, o sonho e o designo de Jesus para sua igreja. Nos versos 22-23, Jesus Cristo deixa claro o que ele deseja no mais profundo do seu coração para igreja do seu tempo e do futuro afirmando:

Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.

O teólogo José Bortolini diz que: “A glória que o Pai deu a seu Filho é o amor. É o amor que cimenta a relação profunda entre o Pai e o Filho, entre Jesus e os discípulos, entre os discípulos e todos os que vão aderindo ao projeto de Deus. Portanto, Jesus não quer uniformidade, mas amor”. Para que haja adesão ao propósito de Jesus será necessário obedecer ao mandamento do amor, da unidade e ao mandamento da expansão do Reino dado aos discípulos após sua ressurreição. No evangelho de Mateus 28.18-20 é dito:

Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda autoridade nos céus e na terra. Portanto, INDO façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.

No grego a palavra poreuqenteV traduzida por IDE está no gerúndio como BaptizonteV, (batizando) didaskonteV (ensinando) e para seguir a dinâmica do texto poreuqenteV deveria ter sido traduzida por INDO. É uma ação pontilhar. Uma ação contínua e não um imperativo, uma ação terminada. Então a ideia é indo à escola, indo ao trabalho, indo a qualquer lugar façam discípulos. Então, Indo discipulai todas as gentes, povos e nações maqhteusate panta ta eqnh, esta é a ordem, por onde estiver indo façam discípulos com ações positivas e testemunhando o amor de Deus.

Assim, a igreja que agrada a Deus é aquela que vivencia na prática o sonho e a oração de Jesus Cristo. É uma igreja que vivencia a unidade sem uniformidade. O grande anseio de Jesus expresso na sua oração é que toda a igreja procure anunciar seu Reino em amor como Deus amou. Em João 3.16-17 nos é dito: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele”. A única uniformidade desejada é a doutrinária: a salvação pela graça de Deus e a unidade da fé em amor. Em Efésios 2.8-9 Paulo afirma: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês e dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”. No capítulo 4.3-6 é ordenado: “Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos”.

O apóstolo do amor também escreveu sobre a unidade (1 João 4.7-21):

Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama e nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque que Deus é amor. Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação “sacrifício” pelos nossos pecados. Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós. Sabemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu o seu Espírito. E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o salvador do mundo. Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém afirmar: Eu amo a Deus, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama Deus, ame também seu irmão.

Esse texto da Carta de João tem fundamento nos dois principais mandamentos reconhecidos e recomendados por Jesus Cristo. Em Mateus 22.37-40 Jesus respondendo aos peritos da Lei e religiosos, disse:

Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.

Jesus terminou sua oração desejando que a igreja do seu tempo e do futuro esteja com ele para sempre. Ele orou:

Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo. Pai Justo, embora o mundo não te conheça, eu te conheço, e estes sabem que me enviaste. Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja. (Jo 17.24-26).

Conclusão:

O desafio, o sonho de Jesus para sua igreja é que ela seja dependente do Pai, seja una sem ser uniforme. Exceto, na doutrina. Ela seja aperfeiçoada no amor e na unidade. Ela seja discipuladora ensinando tudo que ele ordenou e batizando novos discípulos com autoridade em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Se de fato, vivenciarmos tudo o que Jesus nos ensinou, seremos uma igreja agradável a Deus. Finalmente, nos (vv. 23,26) Jesus orou pedindo ao Pai a unidade plena entre ele e seus discípulos, entre ele e Deus. Ele disse: “eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste” (…) “Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja”. Uma igreja unida pelo amor e pela doutrina da salvação pela graça de Deus mediante a fé em Cristo é uma igreja que agrada a Deus. Que sejamos essa igreja e vivamos o sonho de Jesus. Amém.

Nilson Pereira de Moura

Sobre Nilson Pereira de Moura

Nilson Pereira de Moura nasceu em 1957 na cidade de Posse-GO. É casado há 25 anos e pai de três filhos. É bacharel em Teologia, com concentração em Ministério Pastoral, pela Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB (1999). Ordenado ao Ministério Pastoral pela Igreja Cristã de Brasília, em 09 de dezembro de 2001, em Concílio presidido pelo Pastor Júlio Borges de Macedo Filho. Foi posteriormente aprovado em Concílio Especial de reconhecimento de exame realizado pela ICB pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, em 22 de setembro de 2009. Pastoreou como membro do Colegiado de Pastores na Igreja Batista do Jardim Paquetá, na cidade de Planaltina de Goiás, no período de março de 2008 até 13 de novembro de 2010, período que julga de extrema relevância para o seu Ministério Pastoral. Após essa experiência gratificante retornou à Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF (PIBS), onde ocorreu sua conversão em dezembro de 1980 e batismo em 23 de agosto de 1981. Permaneceu como pastor membro na PIBS de 14 de novembro de 2010 até 19 de julho de 2011, quando resolveu retornar à equipe pastoral da Igreja Cristã de Brasília em 24 de julho de 2011, onde foi recebido com grande alegria e unanimidade. É muito grato a Deus pela experiência adquirida na caminhada cristã. Em 18 de agosto de 2013 foi recebido como membro efetivo na Primeira Igreja Batista de Sobradinho – PIBS/DF. No dia 30 de novembro de 2014 retornou à Equipe Pastoral da ICB de copastor. Em 19 de abril de 2015 por aclamação, retornou a PIBS, na qualidade de membro efetivo. Servidor público federal, aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, onde ingressou em 03 de janeiro de 1979. Atuou na Área de Gestão de Pessoas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda-SPE/MF, e na Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento – SPU/MP, no assessoramento técnico da ASTEC, em gestão de Pessoas. Posteriormente, exerceu a função de parecerista na Secretaria de Recursos Humanos – SRH/MP, tendo encerrado a sua participação no MPR na Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, onde exerceu os cargos de Assistente, Assessor Técnico e Chefe de Divisão por vários anos. Encerrou sua carreira no IPEA ocupando a atribuição de Auditor substituto, na Auditoria Interna do órgão. Em paralelo, exerceu o cargo de Diretor de Administração e Finanças da Associação dos Funcionários do IPEA-AFIPEA, cargo pelo qual foi eleito para o Biênio 2011/12, acumulando também o cargo de Secretário-Executivo da AFIPEA-SINDICAL. Cargos exercidos até 30 de maio de 2013.