Evangelho de João – O Senhor das questões filosóficas

EVANGELHO DE JOÃO: VIDA PARA A CIDADE – Pastor Julio Borges Filho

Sermão 6: O SENHOR DAS QUESTÕES FILOSÓFICAS (1) – João 9:1-5

Introdução:

– “Por que?” – É a interrogação humana na dor, no sofrimento, na enfermidade, nos desastres e na morte. É a busca de uma razão para as questões filosóficas do mal.

– “Por que?” – pergunta uma mãe que perde seu filhinho amado. O sofrimento dos inocentes.

– “Por que?” – É a pergunta dramática do Filho de Deus na cruz do Calvário abandonado de Deus e dos homens.

– “Por que?” – Ontem e hoje.

– O contexto: capítulo 8, a pugna de Jesus com as autoridades judaicas que termina com a afirmação: Então, pegam em pedras para atirarem nele, mas Jesus se ocultou e saiu do templo.

– O texto: O cego de nascença em Jerusalém e a pergunta dos discípulos: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Aqui Jesus é apresentado como o Senhor das questões filosóficas.

 

  1. A insuficiência das respostas humanas
  1. Uma pergunta alicerçada na literatura e na teologia judáicas

– A origem do sofrimento: o pecado – Gênesis 3 e Êxodo 20:5 … visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem.

 

O sofrimento do justo – O livro de Jó.

 

  1. Crença antiga: o pecado pré-natal – Uma criança poderia pecar no ventre da mãe. Ex: a briga de Esaú e Jacó no ventre de Rebeca.

 

  1. A vontade de Deus: o cego estava destinado a ser um cego.

– Teologia pagã: Tudo já está escrito, predeterminado. É muito popular:

O nosso amor estava escrito estrelas, tava sim (Tetê Spíndola). Determinismo absoluto. O estóicos: resignação corajosa diante do fatalismo. IL: “Caboclo roceiro” de Patativa de Assaré.

Caboclo roceiro das plagas do norte,

Que vives sem sorte, sem terras e sem lar,

A tua desdita é tristonho que canto,

Se escuto o teu pranto, me ponho a chorar.

 

Ninguém te oferece um feliz lenitivo,

É rude, cativo, não tens liberdade.

A roça é teu mundo e também tua escola,

Teu braço é a mola que move a cidade.

De noite, tu vives na tua palhoça,

De dia na roça, de enxada na mão,

Julgando que Deus é um pai vingativo,

Não vês o motivo de tua opressão.

 

Tu pensas, amigo, que a vida que levas,

De dores e trevas, debaixo da cruz

E as crises cortantes quais finas espadas

São penas mandadas por Nosso Jesus.

 

Tu és nesta vida um fiel penitente,

Um pobre inocente no bando do réu.

Caboclo não guardes contigo esta crença,

A tua sentença não parte do céu.

 

O Mestre Divino, que é Sábio Profundo,

Não fez neste mundo o teu fardo infeliz.

As tuas desgraças, com tuas desordens,

Não nasce das ordens do Eterno Juiz.

 

A Lua te afaga sem ter empecilho,

O sol o seu brilho jamais te negou,

Porém, os ingratos, com ódio e com guerra,

Tomaram-te a terra que Deus te entregou.

 

De noite, tu vives na tua palhoça,

De dia na roça, de enxada na mão.

Caboclo roceiro, sem lar, sem abrigo,

Tu és meu amigo, tu é meu irmão.

 

– Teologia calvinista: exagera a soberania de Deus ao ponto de negar a liberdade humana. A predestinação para a salvação e para a perdição.

 

– Interrogações terríveis: 1) Para que pregar o evangelho se tudo já está predeterminado? 2) A vinda de Jesus não teria sido uma vinda inútil? 3) Para que a morte na cruz se tudo já está escrito?

 

– Somos agentes da história e não bonecos na mão de Deus. O cego foi participante tanto na cura física quanto na espiritual.

 

4. O cego já tivera uma outra existência: reencarnação ou preexistência da alma.

– Doutrina ensinada nas escola (seminários dos fariseus), essênios e judeus cabalísticos.

 

– Platão e o neoplatonismo – Filo e outros filósofos judeus de Alexandria. As almas guardadas no sétimo céu aguardam um corpo e se corrompiam nele. Ex. 1: Sabedoria de Salomão 8:19 e 20

Ex. 2: Sociedade judaica: Identidade de João Batista (Elias); identidade de Jesus (João Batista, Elias, Jeremias ou algum dos profetas) – Mateus 16:14.

 

 

  1. O Senhor das questões filosóficas
  1. Jesus recusa-se a explica a relação do pecado com o sofrimento: Nem ele pecou nem seus pais…

 

  1. A manifestação da obras de Deus

– “De todo um mal vem um bem”. A bondade de Deus é melhor reconhecida onde se manifesta o mal. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, e eu acrescento: principalmente as ruins. Onde abunda a pecado superabunda a graça. Agostinho: Oh! Bendito pecado que me fez conhecer um tão grande salvador!

 

  1. Para que e não por que deve ser a nossa interrogação diante das provações da vida.

Um conto medieval: Um anjo desceu à terra com uma missão importante a cumprir. Hospedou-se, no primeiro dia, na casa de um homem piedoso que, empolgado com o anjo, insistiu para acompanhá-lo na missão. O anjo consentiu com uma condição: que ele não lhe perguntasse nada. O homem concordou. No primeiro dia de viagem foram recebidos num castelo belíssimo onde morava um feliz casal que tinha um filho ainda pequeno que era a alegria de todos, inclusive dos servos. O casal ofereceu um banquete ao anjo e durante o mesmo o dono da casa bebia muito vinho numa taça de prata. Depois do jantar foram dormir e, de madrugada, o anjo levantou-se sendo seguindo do homem piedoso. O anjo foi até o quarto do menino e sufocou-o até matar. Quando retornou ao quarto o homem piedoso fez que estava dormindo sendo despertado pelo anjo dizendo que iriam partir imediatamente e sem despedir. Ao passar pela mesa do jantar o anjo roubou a taça de prata. O homem pensou consigo: “Este anjo é um assassino, um mal educado e um ladrão”, mas não perguntou nada. No segundo dia chegaram à tardinha num castelo onde o dono, mal-encarado, não os quis receber. O anjo insistiu e ele mandou que ele dormissem no paiol. O anjo dormiu até tarde e, ao acordar, deu ao dono do castelo a taça de prata que havia roubado. O homem piedoso pensou consigo de novo: “Àquele casal tão bom, ele fez mal; a este homem tão ruim, ele dá presente…” Mas não disse nada como havia prometido. Um pouco à frente erraram o caminho e pediram a ajuda a um piedoso homem que os acompanhou até chegaram no caminho certo. Ao passarem por um precipício, o anjo empurrou o homem que teve morte trágica. Aí o acompanhante explodiu: “Eu sei que eu prometi não falar nada”, e exigiu explicações. O anjo lhe disse: “Você foi um bom companheiro. Por isso eu vou lhe explicar. Lembra-se daquele belo menino que matei? Ele iria crescer e transformar-se num déspota para tristeza de seus pais e iria maltratar todos os servos. Assim ainda inocente eu tirei-lhe a vida neste mundo. A taça roubada é que se ela tivesse ficado iria transformar o dono da casa no alcoólatra. Quanto ao péssimo hospedeiro do segundo dia, eu dei-lhe a taça para lhe dizer que Deus estava lhe dando uma segunda chance de transformar a sua vida. E este homem piedoso que nos ajudou a encontrar o caminho iria enfrentar uma grande provação que lhe forçaria a renegar a fé. Antes que isso acontecesse, eu tirei-lhe a vida.”

Para que e não por que deve ser nossa interrogação diante das provações da vida.

 

2. Agentes contra o mal e não espectadores – vrs. 4 e 5

– Jesus: enquanto estou no mundo sou a luz do mundo

 

– Discípulos: Vós sois a luz do mundo

 

 

  1. A cruz pergunta e a ressurreição responde

Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? – Ferido no calcanhar. Parece que o mal vai triunfar e que a injustiça, o ódio, a calúnia, a inimizade e a vida teriam a última palavra. Mas Ele ressuscitou.

 

Todo poder me é dado no céu e na terra… – Esmagou a cabeça da serpente. Ele nos diz que o bem triunfará, e que a justiça, o amor, a palavra justa, a amizade e a vida terão a última palavra.

 

– Uma humanidade semelhante a cristo: eis a vontade de Deus

Na terra não há tristeza que o céu não possa curar”

 

 

Conclusão:

– Não somos vacinados contra os males do mundo, mas podemos enfrentá-los e ter respostas para eles em Jesus Cristo. João 16:33 Estas coisas vos tenho dito para que em mim tenhais paz. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo. A paz que Cristo dá não é ausência de aflição, mas certeza da vitória. O mal não triunfará.

 

Sede prudentes/astutos como as serpentes e símplices como as pombas. Evitar o pecado da presunção. IL: Quando adolescente um pensamento diabólico me dominava: “Deus me chamou… e só me levará quando eu cumprir minha missão”. Assim sentia-me liberado para fazer qualquer loucura no mar ou no trânsito.

 

– Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.

 

A coragem e a disposição de fazer a vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita: A Tua vontade e não a minha seja feita. (…) Seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu. Comprometidos com os propósito de Deus, busquemos em Cristo respostas às indagações humanas em todas as áreas do conhecimento, e anunciemos as Boas Novas, a luz do mundo para os que andam em trevas. Tudo para a glória de Deus, mesmo no sofrimento. Jesus é o Senhor das questões filosóficas.

 

 

 


Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.