Louvor Eterno

Sermão:                    L O U V O R  E T E R N O               – Mateus 6:13b

            “Porque Teu é o reino, o poder e a glória para sempre.”

                                                                                   Pastor Julio Borges Filho

            A sétima e última atitude correta em oração é a atitude de louvor, e um louvor eterno. A doxologia que termina o Pai Nosso é um acréscimo porque na maioria dos manuscritos não aparece e é ignorada no Evangelho de Lucas. Na versão atualizada da SBB ela vem entre colchetes indicando a sua apocricidade. Tudo indica que era usada nas orações dos primeiros séculos da igreja primitiva como herança do AT tendo como exemplo a oração de Davi em 1 Crônicas 29:10-13. Tal acréscimo não fere a oração original. Pelo contrário, dá-lhe um fecho maravilhoso e belo.

A atitude de louvor permeia todo o Pai Nosso porque quando oramos nos dirigimos a Deus que é Pai Nosso, cujo nome é santo, de governo e de vontade perfeitos. Colocamos diante dele nossas necessidades de pleno alimento, de perdão, de fraqueza diante da tentação e do poder do mal. Comamos devagar essa doxologia que expressa nosso louvor eterno.

                             POIS TEU É O REINO…
 

            Não um reino, mas O Reino. Um reino que não tem fim e alcance a tudo e todos.

            O reino do Maligno é o anti-reino, os reinos humanos são passageiros e ilusórios. Uma crônica de Humberto de Campos expressa muito bem isso. Ele descreve uma grande multidão nas ruas e um estranho pergunta a alguém: “O que está acontecendo?” A resposta: “É Teodoro que passa”. Teodoro era um grande e popular político. Depois o escritor coloca uma linha de pontinhos indicando um tempo que passou. E depois descreve uma grande multidão num cemitério. E novamente um estanho pergunta: “Quem morreu?” A resposta: “Teodora morreu”. Assim é a vida neste mundo. “Tudo passa sobre a terra”, assim termina José de Alencar seu livro Iracema.

            É a redenção da política. O único governo bom, realmente bom, é o governo de Deus. O Apóstolo Paulo rompe o véu da eternidade quando escreveu em 1 Coríntios 15:24-28 o fim dos governos humanos quando afirma que Jesus castrará os principados e potestades, matará a morte, e entregará o Reino ao Deus e Pai, concluindo: “…e então Deus será tudo em todos”. É a bela anarquia cristã defendida por Jacques Ellul. Todos seremos adequados e participaremos do governo de um mundo redimido. 

                                         O PODER…
 

            Não um poder, mas O Poder. O poder que não se corrompe porque baseado no amor.

            O poder do Pai é para o bem de todos. Isso é o que viveu e ensinou Jesus: o poder é para servir. Tal poder é o que a igreja deve mostrar ao mundo.

            É a redenção do poder. O poder humanizado e realmente decratizado.

                                         E A GLÓRIA…

            Glória no grego é Doxa = beleza.

 

            2 Crônicas 5:11-14 nos desafia: “…porque a glória do Senhor encheu a Casa de Deus” – v. 14b.. A casa vazia da glória de Deus é um quadro triste. Mas o texto diz que os sacerdotes se santificaram para a consagração do templo. Os levitas vestiram vestidos de linho simples para louvarem a Deus exibindo que Deus merece o nosso melhor. Tanto que Jeremias 48:10 nos diz:  “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente”. Depois o escritor sagrado afirma que houve união de todos nos acordes a uma só voz. Diante disso os sacerdotes não podiam entrar no templo porque ele se encheu de fumaça, sinal da presença da glória de Deus. A glória de Deus é a presença ativa dEle entre nós. A Igreja para se conservar saudável e relevante tem de louvar a adorar a Deus. Esta é a sua glória.

            Apocalipse 21:24 diz que as nações e os reis da terra levarão a sua glória para a Nova Jerusalém, a capital do Universo. É o melhor de todos para a glorificação de Deus.

            “Os céus proclamam a glória de Deus…” – Salmo 19:1. Se nos deslumbramos com um céu estrelado como o das várzeas de Curimatá, com um nascer e um pôr-do-sol, com uma lua cheia, imaginem com seria a visão da trindade Santa em glória. Tenho para mim que sentiremos a total presença do Pai e do Espírito Santo, e veremos o Filho porque Ele levou para o céu algo que não trouxe de lá: a sua humanidade.

A visão da glória de Deus provoca em nós uma angústia existencial porque chamados a viver em glória e pureza, somos pecadores. É o que sente o jovem Isaias diante da visão da glória de Deus, com Serafins e Querubins cantando “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos. Toda a terra está cheia de sua glória. O profeta, angustiado, exclama: “Ai de mim, estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios, e meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” – Isaias 6:1-6. Ezequiel fala da mesma angústia existencial quando descreve a aparência glória de Deus: “Caí com o rosto em terra e ouvi a voz do que falava” –Ezequeil1:28.

É a redenção da arte, da beleza, do amor e da vida porque a glória de Deus se revela no homem novo. Jesus Cristo, o homem novo, mostrou-nos sua glória, glória que tinha antes da fundação do mundo – João 17:4. No seu nascimento os anjos cantaram: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem Ele quer bem” – Lc. 2:14. João, o Apóstolo, inicia seu evangelho assim: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós cheio de graça e verdade, e vimos a sua glória, glória do unigênito do Pai” – Jo 1:14. E Paulo, escrevendo aos Gálatas, diz: “Longe de mim gloriar-me senão na cruz de Cristo, pela qual estou crucificado para o mundo e ele para mim. Porque em Cristo Jesus circuncisão ou incircuncisão não tem virtude alguma, mas o ser uma nova criatura – Gl 6:14 e 15. Por isso cantamos “ No meio dos louvores Deus habita” e “Para que a nossa vida seja sempre uma canção”.   Teresa d´Avila expressa a beleza cristã no seu Soneto a Cristo Crucificado, traduzido belamente por nosso poeta Manuel Bandeira:

Não me move meu Deus para querer-te
o Céu que me tens prometido,
nem me move o Inferno tão temido
para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves senhor, move-me o ver-te
cravado na Cruz e escarnecido.
Move-me ver teu corpo tão ferido,
move-me tuas afrontas e tua morte.

Move-me por fim teu amor e de tal maneira
que ainda que não houvesse Céu eu te amaria
e ainda que não houvesse Inferno eu te temeria.

Não me tens que dar para que eu te queira,
pois ainda que o que eu espero eu não esperasse,
o mesmo que eu te quero eu te quereria.

A glória de Deus não é a glória de um déspota, mas o esplendor do amor. É a presença ativa de Deus. Daí é nossa missão não apenas expressar isso na vida interna da igreja, mas levar a glória de Deus aonde ela não está. 

                                  …PARA SEMPRE.
 

            Há uma realidade maior que não envelhece. Jesus diz “Eis que faço novas todas as coisas”. Eternidade não apenas viver para sempre, mas viver sempre em novidade de vida. Tudo é sempre novo e não envelhece jamais. Por isso, a Escritura nos diz: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” – 1 Co 2:8.

            Eclesiastes 3 fala que Deus colocou a eternidade em nós. É a nossa alma que sonha com novos céus e novas terras onde habitam justiça. 

            É no louvor e adoração ao Pai Santo que nos reconhecemos como filhos e agimos como tais. Nosso objetivo é amar a Deus e glorifica-lo para sempre, ou, como disse John Stott, sermos semelhantes a Cristo. Ouvi o belo testemunho de Pedro do Borel na 2º Congresso Brasileiro de Evangelização em Belo Horizonte. Ele disse que o seu maior sonho era conhecer a Terra Santa e andar por onde Jesus andou. Um dia estava triste debaixo de uma árvore porque não poderia ir, quando ouviu uma voz: “Meu filho, não fique triste porque não andou por onde eu andei. Você está andando por onde eu não andei”. E ele concluiu dizendo que o seu lugar de missão era o Morro do Borel, no rio de Janeiro. É lá que ele agora sonha andar.

É no louvor e adoração ao Pai Amoroso que nos libertamos de toda idolatria. Nada nos deve escravizar e ocupar o primeiro lugar em nossa vida. Só o Reino de Deus e sua justiça como ensinou Jesus.

– É no louvor e adoração ao Pai Eterno que nos encontramos, nos transcendemos, não nos desesperamos e não deixamos de sonhar sempre. Queremos ser afetados pela santidade, a beleza e o amor do Pai revelados no Filho. Por isso louvemos juntos: “Porque Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre”.

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.