O Programa de Governo de Jesus

– Lucas 4:14-21.

Por Nilson Pereira de Moura, pastor da Igreja Cristã de Brasília, Bacharel em Teologia pela FTBB.

“Jesus voltou para a Galiléia no poder do Espírito, e por toda aquela região se espalhou a sua fama. Ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam. Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era seu costume. E levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontro o lugar onde está escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano graça do Senhor. Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele; e ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”. (NVI)

Em outubro teremos eleições municipais para Prefeitos e Vereadores. São eleições que parecem não nos dizer respeito, mas é um tremendo engano, pois a política estadual e municipal é intrinsecamente ligada ao poder central. Todos os estados e municípios dependem da União, política, econômica e financeiramente. A Palestina da época de Jesus era uma sociedade formada por vários partidos religiosos. Havia os saduceus, os fariseus, os essênios, os herodianos e os zelotas nacionalistas. Todos esses partidos religiosos eram a princípio teocráticos, ou seja, o poder emanava de Deus. Na atualidade, o Brasil é democrático, em tese, ou seja, o poder emana do povo. Aqueles partidos acreditavam serem os verdadeiros representantes e defensores da causa de Deus e do povo. Exceto os herodianos que eram seguidores explícitos de Herodes. Todos os outros viviam a expectativa da vinda do (ungido) Messias. A estrutura social era muito pesada à sociedade da época de Jesus, pois manter esses partidos religiosos à custa dos dízimos, contribuições e ofertas, para sustentar mais de 16 mil sacerdotes e suas famílias, mais impostos pagos ao império romano, resultava em grande opressão ao povo. As pessoas da época de Jesus eram pobres, cativas, cegas e oprimidas por esta estrutura social pesada e corrupta. O Brasil em que vivemos não é muito diferente disso, uma vez que tem uma estrutura social que torna as pessoas pobres, cativas, cegas, oprimidas, e também excluídas dos bens e serviços que supostamente são feitos para o povo. Pagamos uma carga tributária exorbitante e muitas igrejas continuam explorando os fieis em nome de Deus. Temos vários partidos que se apresentam como os paladinos da moralidade e da ética. São verdadeiros “messias” em suas concepções políticas “democráticas”. Prometem saúde, educação, emprego, segurança e tantas outras coisas. Se recebêssemos metade do que cada político promete em suas famigeradas campanhas, com certeza não existiriam pobres em nossos dias. As falsas igrejas prometem riqueza e prosperidade em troca dos dízimos, ofertas e contribuições espoliando o fiel carente de Deus e de salvação pela graça, tão somente, pela graça de Deus por meio da fé em Cristo Jesus. A expectativa do povo da época de Jesus era a mesma do povo dos nossos dias. Um salvador da pátria. É no contexto de extrema pobreza, miséria e muitas doenças que Jesus Cristo apresenta seu Programa de Governo contendo cinco pontos, mas que poderia transformar toda a estrutura social, política, econômica e religiosa de sua época, vejamos em que consistia o Programa de Governo de Jesus Cristo. Ao final será possível aderir ou rejeitar a proposta de Jesus Cristo como o salvador da pátria. A BEA traduziu Lucas 4.18:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos; para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor”.

A NVI traz a tradução do verso 18:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”.

1. Pregar boas novas aos pobres – Esperança de mudanças (1); 2. Proclamar liberdade aos presos – Justiça penal (2); 3. Recuperação da vista aos cegos – Saúde pública (3); 4. Libertar os oprimidos – Justiça social (2) 5. Proclamar o ano da graça do Senhor – Perdão e anistia. (1) Esse era e ainda é o Programa de Governo de Jesus Cristo. O que significava para as pessoas que estavam ouvindo Jesus? Significava que chegara a esperança de salvação para o povo, novas notícias “boas novas” para o povo empobrecido e enfraquecido pela ambição dos que os governavam. O que significa para nós hoje estas mesmas palavras proferidas por Jesus Cristo? Significa que também chegou esperança de salvação para todos os que creem e aderem a Ele. Os líderes se corromperam diante do poder da riqueza do Império Romano e da mega estrutura Religiosa que controlava o poder econômico e social. O povo havia perdido a dignidade e vivia das migalhas que caiam das mesas dos ricos. O povo havia perdido a liberdade e vivia escravo em todos os sentidos. Vivia em prisão e cegueira física, emocional, psicológica e espiritual. Havia perdido a capacidade de enxergar a realidade da sua situação de cegueira e da prisão espiritual e social. A missão de Jesus consistia em trazer uma palavra de esperança e realizar uma ação que traria liberdade concreta ao povo que vivia explorado, oprimido, excluído e marginalizado. O quinto ponto do programa de Jesus Cristo é proclamar o ano aceitável “da graça” do Senhor, é uma referência ao jubileu celebrado em Israel a cada 50 anos (Levítico 25:8-16), na versão NVI:

“Contem sete semanas de anos, sete vezes sete anos; essas sete semanas de anos totalizam quarenta e nove anos. Então façam soar a trombeta no décimo dia do sétimo mês; no Dia da Expiação façam soar a trombeta por toda a terra de vocês. Consagrem o qüinquagésimo ano e proclamem libertação por toda terra a todos os seus moradores. Este lhes será um ano de jubileu, quando cada um de vocês voltará para a propriedade da sua família e para o seu próprio clã. O qüinquagésimo ano lhes será jubileu; não semeiem e não ceifem o que cresce por si mesmo nem colham das vinhas não podadas. É jubileu, e lhes será santo; coma apenas o que a terra produzir. Nesse ano do jubileu cada um de vocês voltará para a sua propriedade. Se vocês venderem alguma propriedade ao seu próximo ou se comprarem alguma propriedade dele, não explorem o seu irmão. O que comprarem do seu próximo será avaliado com base no número de anos desde o jubileu. E ele fará a venda com base no número de anos que restam de colheitas. Quando os anos forem muitos, vocês deverão aumentar o preço, mas quando forem poucos, deverão diminuir o preço. Pois o que ele está lhes vendendo é o número de colheitas. Não explorem um ao outro, mas temam o Deus de vocês. Eu Sou o Senhor, o Deus de Vocês. Pratiquem os meus decretos e obedeçam às minhas ordenanças, e vocês viverão com segurança na terra. Então a terra dará seu fruto, e vocês comerão até fartar-se e ali viverão em segurança”.

O jubileu era o Dia do Perdão, o Dia da Expiação da dívida. Era uma anistia geral e irrestrita. Era uma verdadeira reforma agrária. Era o Perdão Pleno para salvação da vida. No sistema teocrático a terra continuava sendo do Senhor. Deus era dono de tudo. É isso que Jesus está prometendo. Ele é o comprimento da Lei e da profecia. Esse é o seu programa de governo: cumprir as promessas de Deus. Liberdade plena da terra e liberdade plena do ser humano. É a salvação para uma vida plena que chegou em Jesus Cristo. Quando Jesus é interrogado nos sinóticos sobre se era certo pagar imposto a César (Lc 20.20-26), Ele sabiamente responde que o sistema que escolhermos a esse devemos honrá-lo com impostos e adoração, ou seja, devemos fidelidade a quem escolhermos servir. A teologia do Velho Testamento afirma que tudo pertence a Deus. O Salmo 24.1-2 afirma: “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem; pois foi ele quem fundou-a sobre os mares e firmou-a sobre as águas”. Então se tudo pertence a Deus nada pertence a César, ou seja, Jesus não está legitimando o pagamento de imposto, mas pelo contrário, está criticando a infidelidade dos líderes religiosos de sua época que se aliaram ao poder opressivo de César sobre os seus compatriotas e, tudo isso, causava uma carga muito pesada ao povo. Se você serve a César honre a César, mas se você serve a Deus honre da Deus e não a César é isso que Jesus está dizendo. Quando nos sentirmos cansados e oprimidos pelo sistema, pelo mundo: cansados de mensaleiros, sanguessugas, dos esquemas cachoeiras da corrupção, das falsas promessas de políticos e de religiosos inescrupulosos, lembremos que Jesus tem um projeto de vida verdadeiro e especial para todos nós, registrado magistralmente por Mateus, na tradução da NVI:

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas “vidas” almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Constatamos que as promessas feitas por Jesus Cristo foram, estão e serão todas cumpridas integralmente. Ele não prometera ausência de aflição, tribulação e sofrimento na caminhada. Ele disse: “no mundo passareis por aflições, mas tende bom ânimo eu venci o mundo”. O apóstolo Paulo em Romanos escreve:

“Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro. Mas em todas as coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”.

No capítulo 7:9-17 do livro de Apocalipse Jesus revela a João a vitória dos que votaram e permaneceram fieis a Ele:

“Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, e povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas. E clamavam em alta voz: A salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro. Todos os anjos estavam em pé ao redor do trono, dos presbíteros e dos quatro seres viventes. Eles se prostraram com o rosto em terra diante do trono e adoraram a Deus dizendo: Amém! Louvor e glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força sejam ao nosso Deus para todo o sempre. Amém. Então um dos presbíteros me perguntou: Quem são estes que estão vestidos de branco, e de onde vieram? Respondi: Senhor tu o sabes. E ele disse: Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso, Eles estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite em seu santuário; e aquele que está assentado no trono estenderá sobre o seu tabernáculo. Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede. Não os afligirá o sol, nem qualquer calor abrasador, pois o Cordeiro que está no centro do trono será o seu Pastor: ele os guiará as fontes de água viva. E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima”. (NVI)

É a vitória plena dos pobres, cativos, cegos e oprimidos que aderiram ao Programa de Governo de Jesus Cristo. É a vitória sobre a dor, sobre o sofrimento, sobre a aflição e toda desesperança para morar com Deus em um novo céu e uma nova terra restaurada pelo próprio Senhor da história. Então o próprio Deus pela vitória do Cordeiro e dos seus seguidores vem fazer morada com eles, Ap 21:1-8:

“Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. Vi a CIDADE SANTA, na nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ELE viverá. Eles serão os seus povos, o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga Ordem já passou. Aquele que estava assentado no trono disse: Estou fazendo novas todas as coisas! E acrescentou: Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança. Disse ainda: Está feito. Eu sou o Alfa e o Omega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida. O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu filho. Mas aos covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam a feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos – o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte”. (NVI)

Vitoria e esperança para os seguidores de Cristo e derrota e desespero para os que o rejeitar. Como naqueles dias que o povo esperava por soluções fáceis que seriam dadas por seus políticos e religiosos, ainda é a realidade presente de nosso povo pobre, preso e cego que esperam por um programa de governo de salvação para Brasil. Esse é o Programa de Governo de Jesus Cristo:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”.

Conclusão: Boas novas aos pobres. Liberdade aos presos injustiçados e recuperação de vista aos cegos, libertação dos oprimidos e proclamação do ano aceitável do Senhor. Era de fato, anistia geral e irrestrita da terra, das dívidas injustas e dos impostos excrachantes causam a escravidão física, social e econômica, emocional, psicológica e a mais importante de todas as liberdades. A liberdade espiritual. A libertação da alma e da vida para sempre. Eis a oportunidade que Deus esta nos oferecendo, aderir e votar em Jesus Cristo, elegendo-o Senhor e Salvador de nossas vidas. É uma proposta de vida abundante e eterna e livre toda e qualquer tribulação é promessa de Jesus Cristo: “o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga Ordem já passou. Aquele que estava assentado no trono disse: Estou fazendo novas todas as coisas!”.

Nilson Pereira de Moura

Sobre Nilson Pereira de Moura

Nilson Pereira de Moura nasceu em 1957 na cidade de Posse-GO. É casado há 25 anos e pai de três filhos. É bacharel em Teologia, com concentração em Ministério Pastoral, pela Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB (1999). Ordenado ao Ministério Pastoral pela Igreja Cristã de Brasília, em 09 de dezembro de 2001, em Concílio presidido pelo Pastor Júlio Borges de Macedo Filho. Foi posteriormente aprovado em Concílio Especial de reconhecimento de exame realizado pela ICB pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, em 22 de setembro de 2009. Pastoreou como membro do Colegiado de Pastores na Igreja Batista do Jardim Paquetá, na cidade de Planaltina de Goiás, no período de março de 2008 até 13 de novembro de 2010, período que julga de extrema relevância para o seu Ministério Pastoral. Após essa experiência gratificante retornou à Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF (PIBS), onde ocorreu sua conversão em dezembro de 1980 e batismo em 23 de agosto de 1981. Permaneceu como pastor membro na PIBS de 14 de novembro de 2010 até 19 de julho de 2011, quando resolveu retornar à equipe pastoral da Igreja Cristã de Brasília em 24 de julho de 2011, onde foi recebido com grande alegria e unanimidade. É muito grato a Deus pela experiência adquirida na caminhada cristã. Em 18 de agosto de 2013 foi recebido como membro efetivo na Primeira Igreja Batista de Sobradinho – PIBS/DF. No dia 30 de novembro de 2014 retornou à Equipe Pastoral da ICB de copastor. Em 19 de abril de 2015 por aclamação, retornou a PIBS, na qualidade de membro efetivo. Servidor público federal, aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, onde ingressou em 03 de janeiro de 1979. Atuou na Área de Gestão de Pessoas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda-SPE/MF, e na Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento – SPU/MP, no assessoramento técnico da ASTEC, em gestão de Pessoas. Posteriormente, exerceu a função de parecerista na Secretaria de Recursos Humanos – SRH/MP, tendo encerrado a sua participação no MPR na Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, onde exerceu os cargos de Assistente, Assessor Técnico e Chefe de Divisão por vários anos. Encerrou sua carreira no IPEA ocupando a atribuição de Auditor substituto, na Auditoria Interna do órgão. Em paralelo, exerceu o cargo de Diretor de Administração e Finanças da Associação dos Funcionários do IPEA-AFIPEA, cargo pelo qual foi eleito para o Biênio 2011/12, acumulando também o cargo de Secretário-Executivo da AFIPEA-SINDICAL. Cargos exercidos até 30 de maio de 2013.