Deus Mãe

Sermão: D E U S M Ã E  Gênesis 1:1 e 2, 26-28

Pastor Julio Borges Filho

Introdução

– A oração do bispo Almir dos Santos: “Nosso Pai e nossa Mãe…” O livro “A Cabana” revoluciona: Deus Pai e Deus Espírito Santos são duas mulheres.

– Um Deus masculino: Pai, Filho e Espírito Santo. O Espírito é feminino/mãe – Ruá (Hebráico). Quanto os setentas sábios de Alexandria traduziram o VT para o grego, colocaram o Espírito como neutro – pneuma. E quando Jerônimo traduziu a septuaginta para o latim, colocou-O masculino – Spiritus. Daí pra frente a cultura patriarcal construiu toda uma teologia tirando da tradição cristã a dimensão feminina de Deus presente em todas as culturas religiosas. Em todas as culturas há Mães que representam a Energia de Deus Mãe: Ísis, Kwan Yin, Kali Ma, Shakti, Deusa, Yemanjá, Búfalo Branco, Madonas Negras, Mãe Maria e em todas elas a energia da Mãe foi reconhecida… até chegar um determinado período em que essa Energia foi “abafada” e era até mesmo perigoso falar dela, com tantas fogueiras acesas por ai, o que pode ter ocasionado inclusive um registro em nós de “perigo”. Mas este período se finda… Podemos novamente falar de Deus Mãe sem receio. E podemos interagir com Ela! Podemos renovar esta conexão.

– Agora, em pleno advento da revolução feminina, recuperar a dimensão feminina de Deus, é fundamental para nossa cura psíquica. Todos os filhos precisam de pai e de mãe para viver saudáveis neste mundo.

  1. Imagem e semelhança da família divina
  • A Trindade Santa determina nossa identidade – Karl Bart já enfatizava isso: Porque Deus é Pai é que há pais, porque Ele é mãe é que há mães, e porque Ele é Filho é que há filhos. Nascemos da pluralidade de Deus. Somos imagem da Trindade Santa e ao o contrário o que seria idolatria: Deus feito à nossa imagem.
  • Ação criativa e geradora do Espírito Santo – “…e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”. “Envias Teu Espírito e eles são criados”. Eis uma pequena história da criação: “Quando Deus Pai, a FONTE, “resolveu” criar o Universo, desejou que isso fosse feito. De Si emanou o início, o princípio, a vontade, a ordem. Para que houvesse a criação, além do desejo, era preciso a manifestação a concretização. Deus Mãe então “gerou”, manifestou, trouxe à forma e concretizou. Deus Mãe é o Grande Útero Cósmico, onde tudo é gerado e também manifestado. Ela não só gera, manifesta, mas também concretiza. Nela. A Energia de Deus Mãe nos gera, nos abarca, nos mantém.” É Espírito Santo que gera no ventre de Maria o Filho de Deus. É Ele que gera a comunidade cristã/Igreja em Jerusalém no Pentecostes. E é Ele quem gera Cristo em nós e faz-nos novas criaturas.
  • Deus se expressa em linguagem materna – O Pai: “Pode a mãe se esquecer do filho que ainda mama? Mas ainda que ele se esquecesse dele, eu não me esqueceria de ti” – Isaias. O Filho: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste” – Lucas.
  • Deus mãe: satisfaz nossas mais profundas necessidades
  • Gerador da vida – Na criação do universo, na criação das espécies, no nascimento de Jesus Cristo, na transformação de vidas (novo nascimento), no nascimento da igreja, na evangelização. Meus pais foram decisivos para minha vida: meu pai apontou o rumo, mas foi minha mãe quem adubou o terreno.
  • Consolador – O “Outro Consolador” prometido por Jesus é a dimensão materna de Deus, o Espírito Santo, a Brisa… A mãe é uma advogada que se agarra aos filhos. Meu pai contava que meu irmão mais velho, ainda pequenino, entrou um curral cheio de vacas, e uma vaca brava se arremessou contra ele, mas minha mãe, grávida de meu segundo irmão, correu e agarrou o filho e a vaca, diante de tanta bravura, desistiu do arremesso. Provavelmente reconheceu, como mãe-animal, o pode da mãe-humana. Deus mãe é assim: nunca desiste de nós…
  • Intercessor – Paulo afirmou, escrevendo aos romanos, que o “Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis…” Os gemidos do Espírito, o Deus mãe, tem o único objetivo: “Até Cristo se formar em nós”. Não seremos abortados.
  • Plenitude de vida – O imperativo paulino em Efésios, “Enchei-vos do Espírito…” é plenitude de vida. O mesmo poder que gerou Jesus em Maria e que O ressuscitou dos mortos, está à nossa disposição. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”, afirmou Jesus. E disse mais: “Quem crê mim, como diz a escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”
  • Alegria – Jesus alegrava-se no Espírito. Tal alegria é nossa. Uma alegria que o mundo não pode dar nem tirar.
  • Paz – trata-se da “paz de Cristo que excede todo entendimento…” “A minha paz vos dou…”, afirmou o Filho. É através do Espírito, o Deus Mãe, que esta paz é possível. “Ele estará para sempre convosco…”, orientou-nos o Senhor. Jesus poderia ser preso, torturado e morto, mas o Espírito estará conosco em qualquer lugar ou momento porque habita em nós. Somos templos do Espírito Santo.
  • Fé, esperança e amor – “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”, afirmou o Apóstolo Paulo em 1 Co 13. Só teremos isso com o Deus em nós, a mãe de todos os filhos de Deus. Através dela, a Trindade Santa, estará presente em nossa vida: “Se alguém me ama, guardará minha palavra; e meu pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” – João 14:23.

Conclusão:

– Somos desafiados a viver as dimensões da Trindade Santa em nós: a verticalidade do Pai, a horizontalidade do Filho, e a profundidade do Espírito Santo. O Deus Pai (Deus acima de nós) enviou o Deus Filho (Deus conosco) para nos salvar, e o Filho nos enviou o Deus Mãe (Deus conosco) para nos santificar.

– Assim, como afirmou o Apóstolo do amor, “não nascemos do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” – João 1:13. Somos de fato filhos de Deus, irmãos de Jesus Cristo, gerados através do Deus mãe que o Espírito Santo. Um dia chegaremos à plenitude de Cristo e então “Deus será tudo em todos.” E o projeto original de Deus de nos criar conforme a Sua imagem e semelhança terá sua plenitude. Por enquanto basta-nos isso: Temos um Pai, uma Mãe e um Irmão Eternos. Nunca seremos órfãos.

 

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.