O BATISMO – uma ordenança do Senhor

Por Nilson Pereira de Moura – Bacharel em Teologia e Pastor da Igreja Cristã de Brasília-ICB

Escrevi um texto há algum tempo atrás, onde tratei de uma das ordenanças do Senhor Jesus. A Ceia do Senhor. Assim me sinto devedor a escrever um outro artigo sobre o batismo, a primeira ordenança. Isto é, o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O texto de Mateus 3.13-17 transcrito abaixo traz o relato de que o próprio Jesus Cristo se submeteu ao batismo praticado por João, o Batista, em cumprimento da justiça de Deus.

“Então Jesus veio da Galiléia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Respondeu Jesus: Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça. E João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”. (tradução NVI).

1. Origem do Batismo.

O batismo cristão vem do início do cristianismo, mas o pano de fundo da cerimônia remonta ao judaísmo e não às religiões pagãs. João, o Batista, batizava por imersão em sinal do arrependimento de pecados de acordo com o Evangelho de Marcos 1.4-5:

“Assim surgiu João, batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. A ele vinha toda a região da Judéia e todo o povo de Jerusalém. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão”.

No judaísmo simbolizava rito de purificação e no cristianismo simboliza o início de uma nova vida em Cristo. Jesus não tinha pecado para se arrepender, mas deu exemplo e conferiu autoridade ao batismo de João, conforme Mat. 3.13-17.

 

2. Significado do batismo.

2.1  – Sacramento – Algumas igrejas chamam o batismo de sacramento e crêem que tem poder     para a salvação do fiel.

2.2  – Ordenança – A maioria dos protestantes e dos evangélicos entende que o batismo é uma ordenança de Jesus Cristo e não tem poder de salvação, mas simboliza o sinal externo da salvação e da nova vida que o cristão desfruta em Cristo Jesus. O batismo é um rito de entrada na membresia de uma igreja e o mais importante, como escreve Jaziel Guerreiro Martins:

“Ele significa nossa união com Cristo na sua morte e ressurreição, significando nossa morte para a antiga vida de pecado e o ressurgimento para uma nova vida juntamente com Ele”.

O apóstolo Paulo entendia que o batismo simbolizava e simboliza a nossa morte e a nossa ressurreição em Cristo Jesus – morte para o pecado e vida para Deus. (Rm 6.3-12):

“Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado. Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. Pois sabemos que, tendo sido ressuscitado dos mortos, Cristo não pode morrer outra vez: a morte não tem mais domínio sobre ele. Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; mas vivendo, vive para Deus. Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos”.

O batismo era entendido como uma analogia entre a velha aliança realizada com a circuncisão da carne e a nova aliança realizada com a circuncisão não física, mas uma circuncisão do coração. Cl 2.11-12:

“Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”.

O evangelista Lucas nos ensina que o batismo é uma confissão de fé em Jesus Cristo, como Senhor e Salvador (Atos dos Apóstolos 8.36-38):

“Prosseguindo pela estrada, chegaram a um lugar onde havia água. O eunuco disse: “Olhe, aqui há água. Que me impede de ser batizado? Disse Filipe: Você pode, se crê de todo o coração. O eunuco respondeu: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Assim, deu ordem para parar a carruagem. Então Filipe e o eunuco desceram à água, e Filipe o batizou. Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe repentinamente”.

Então o batismo não é um ato purificador nem salvador, mas uma manifestação publica do que cremos, a nossa salvação em Cristo. Existem várias maneiras e formas de realização desse ato simbólico de confissão pública em Jesus Cristo.

 

3. Formas de Batismo – existem três formas:

  1. Afusão – é a realização do batismo com derramamento de água sobre a cabeça do fiel. Esse ato é praticado por algumas igrejas reformadas, pode ser realizada em água corrente ou em pia batismal;
  2. Aspersão – é a realização do batismo com o ato de aspergir, respingar como chuvisco sobre a cabeça do batizando e alguns acham que é um ato semelhante à efusão ou afusão é usada por muitas igrejas cristãs e, em particular, pela Igreja Católica Apostólica Romana;
  3. Imersão – vem do grego (baptizo) que significa Batismo, quer dizer: mergulhar, afundar, imergir. Wayne Grudem em Teologia Sistemática – atual e exaustiva afirma:

O fato de que João e Jesus entreram no rio e saíram dele sugere enfaticamente imersão, já que a aspersão ou a afusão de água poderiam muito mais facilmente ter sido feitas junto ao rio, especialmente pelo fato de que multidões estavam vindo para o batismo. O evangelho de João nos diz depois que João Batista “estava também batizando no Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas” (Jo 3.23). Novamente, não era necessário muita água apra batizar pessoas por aspersão, mas isso seria preciso para batizar por imersão”.

A maioria das igrejas protestantes e evangélicas pratica o batismo por imersão por entender que seja o batismo bíblico praticado pelos apóstolos de Jesus Cristo, pois a palavra grega “BAPTIZO” traz o significado de “mergulhar” e “imergir”, era realizado à medida que as pessoas indo se convertendo à pregação dos apóstolos de Jesus Cristo. (Atos 2.40-41):

“Com muitas outras palavras os advertia e insistia com eles: Salvem-se desta geração corrompida! Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas”.

 

4. Batismo de Criança – O batismo de criança não tem fundamentação bíblica, portanto, os evangélicos e a maioria dos protestantes históricos não praticam o batismo infantil. É recomendado o batismo a partir dos 12 anos, embora se possa realizar o batismo quando a criança demonstrar maturidade para discernir o certo e errado e manifestar a publica profissão de fé como convicção de sua salvação pela graça de Deus mediante a fé em Cristo.

O que havia era uma legislação mosaica que determinava que todo primogênito “primeiro filho” ao completar oito dias era levado ao templo para ser circuncidado e apresentado ao Senhor, e aos doze anos, ao entrar na maioridade masculina judaica o menino fazia “bar-mitzvah” (Lc. 2.21-23, 42):

“completando-se os dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha dado pelo anjo antes de ele nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com o que a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor) e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que diz a Lei do Senhor: duas rolinhas ou dois pombinhos”… e “quando ele completou doze anos de idade, eles subiram à festa, conforme de costume”.

Esses ritos não podem ser entendidos como fundamentos para o batismo de crianças, pois são ritos próprios do judaísmo, embora, boa parte das igrejas cristãs utilize esses ritos para fazer apresentação de todos os filhos e filhas como um ato simbólico de entregar e louvar ao Senhor pela benção recebida das mãos do Senhor Deus.

No judaísmo é celebrada a maioridade do menino, e posteriormente, foi incluído o Bat Mitzvá para as meninas. Segundo a Revista Morashá 15 – http://www.morasha.com.br:

“O judaísmo considera o jovem de 13 anos maduro o suficiente para ser responsável por seus atos. Na Torá, Livro do Gênese, há um verso que indica que é a partir desta idade que um menino se torna homem. Referindo-se a dois filhos do patriarca Jacob, Shimon e Levi, narra o texto da Torá: “Cada um dos homens pegou sua espada…”. Na época em que ocorreu esse episódio, Levi tinha 13 anos de idade. Ele foi a pessoa mais jovem a quem a Torá se referiu como “homem”, revelando assim que aos treze anos é a idade em que um judeu assume a maioridade religiosa. De acordo com o Talmud, um menino torna-se adulto com 13 anos e 1 dia, independentemente do fato de ter ou não atingido a puberdade. Como as meninas amadurecem mais cedo, o Bat-Mitzvá, celebração de sua maioridade religiosa, é comemorado aos 12 anos”.

Para os cristãos protestantes e evangélicos os ritos de apresentação e de batismo parecem ter uma aproximação da tradição judaica, mas não uma fundamentação para o batismo de crianças, mesmo porque, para o judaísmo os ritos “bar-mitzvá e Bat-Mitzvá,” têm uma expressão muito especial para eles e o batismo de jovens e adultos para os cristãos não católicos romanos tem também um sentido especial, mas significando que o cristão morreu para os valores mundanos e ressurgiu para os valores do Reino de Deus, ou seja, mortos para o pecado, mas vivo para Deus.

 

5. Condição básica para o Batismo.

A condição básica para ser batizado é a manifestação de arrependimento de pecados, a confissão, a conversão, a fé, a regeneração, a justificação e a união com Cristo mediante a fé na sua morte e ressurreição como ato de Deus para salvação. Segundo Juziel Guerreiro Martins, no Manual de Celebrações do Ministro:

“O batismo não salva; apenas expressa simbolicamente e visivelmente a salvação operada na vida do crente. Além disso, sendo a fé o elemento essencial na operação da graça divina, esta também opera na vida daquele que recebe o Batismo, pois é um ato puro de fé em Jesus Cristo”. Ele diz mais:

O Batismo foi ordenado pelo próprio Jesus para ser efetuado sobre aqueles que nele cressem”.

Portanto, vimos à origem do batismo, o significado, a forma e porque não batizamos crianças e as condições básicas para o Batismo e, concluímos que, o Batismo por imersão é uma ordenança de Jesus Cristo. Ele não salva, mas é muito importante, pois é uma manifestação publica de fé e um rito de entrada na igreja local. Deve ser um momento de muita alegria como está relatado em Lucas 15.7:

“Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se”.

O batismo deve ser considerado um privilégio para todos os cristãos, os crentes em Jesus Cristo. É um cumprimento da ordenança dada por nosso Senhor Jesus aos seus discípulos e extensiva a todos nós seus discípulos atuais conforme o Evangelho de Mateus 28.19-20:

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” – (tradução NVI).

Assim, em cumprimento à ordenança de nosso Senhor Jesus Cristo é necessário fazer discípulos de todas as nações, povos e línguas ensinando-os a obedecer tudo o que o Senhor ordenou. Batizando-as em nome Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Fonte:

  1. Manual de Celebrações do Ministro – Martins, Jaziel Guerreiro – Santos Editora. 1ª Edição/2008.
  2. Bíblia Nova Versão Internacional – NVI. Vida.
  3. Grudem, Wayne – Teologia Sistemática – atual e exaustiva. Vida Nova, 1ª edição. 1999.
Nilson Pereira de Moura

Sobre Nilson Pereira de Moura

Nilson Pereira de Moura nasceu em 1957 na cidade de Posse-GO. É casado há 25 anos e pai de três filhos. É bacharel em Teologia, com concentração em Ministério Pastoral, pela Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB (1999). Ordenado ao Ministério Pastoral pela Igreja Cristã de Brasília, em 09 de dezembro de 2001, em Concílio presidido pelo Pastor Júlio Borges de Macedo Filho. Foi posteriormente aprovado em Concílio Especial de reconhecimento de exame realizado pela ICB pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, em 22 de setembro de 2009. Pastoreou como membro do Colegiado de Pastores na Igreja Batista do Jardim Paquetá, na cidade de Planaltina de Goiás, no período de março de 2008 até 13 de novembro de 2010, período que julga de extrema relevância para o seu Ministério Pastoral. Após essa experiência gratificante retornou à Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF (PIBS), onde ocorreu sua conversão em dezembro de 1980 e batismo em 23 de agosto de 1981. Permaneceu como pastor membro na PIBS de 14 de novembro de 2010 até 19 de julho de 2011, quando resolveu retornar à equipe pastoral da Igreja Cristã de Brasília em 24 de julho de 2011, onde foi recebido com grande alegria e unanimidade. É muito grato a Deus pela experiência adquirida na caminhada cristã. Em 18 de agosto de 2013 foi recebido como membro efetivo na Primeira Igreja Batista de Sobradinho – PIBS/DF. No dia 30 de novembro de 2014 retornou à Equipe Pastoral da ICB de copastor. Em 19 de abril de 2015 por aclamação, retornou a PIBS, na qualidade de membro efetivo. Servidor público federal, aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, onde ingressou em 03 de janeiro de 1979. Atuou na Área de Gestão de Pessoas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda-SPE/MF, e na Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento – SPU/MP, no assessoramento técnico da ASTEC, em gestão de Pessoas. Posteriormente, exerceu a função de parecerista na Secretaria de Recursos Humanos – SRH/MP, tendo encerrado a sua participação no MPR na Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, onde exerceu os cargos de Assistente, Assessor Técnico e Chefe de Divisão por vários anos. Encerrou sua carreira no IPEA ocupando a atribuição de Auditor substituto, na Auditoria Interna do órgão. Em paralelo, exerceu o cargo de Diretor de Administração e Finanças da Associação dos Funcionários do IPEA-AFIPEA, cargo pelo qual foi eleito para o Biênio 2011/12, acumulando também o cargo de Secretário-Executivo da AFIPEA-SINDICAL. Cargos exercidos até 30 de maio de 2013.