AMÉM

Série de sermões sobre o Pai Nosso (11):

A  M  É  M

Pastor Julio Borges Filho

            Estou encerrando uma série de sermões sobre o Pai Nosso que começou em 2016, passou por 2017, e chega a 2018. O Pai Nosso é um resumo de toda a revelação bíblica e, como nos foi ensinado pelo Mestre dos mestres, só nos resta dizer “Amém”.

Amém é um hebraísmo cuja melhor tradução em português é “Assim seja”. Encontrei paralelo no matutês num povoado chamado Lameirão, hoje Julio Borges, no sul do Piauí: “Asaí” = Eis aí ou “Asodito” = Caso dito. Estas eram o “Amém” do povo ao meu sermão como primeiro pregador evangélico do povoado.

– Resumamos o que foi dito nos sermões anteriores e respondamos com um forte “Amém”.

 

        RESUMO DO PAI NOSSO E NOSSO AMÉM
 

  1. A atitude de filiação: “Pai nosso que estás nos céus…” 
  1. A atitude de reverência: “Santificado seja o Teu nome” 
  1. A atitude de submissão: “Venha a nós o Teu reino e seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu” 
  1. A atitude de dependência: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje” 
  1. A atitude de perdão: “E perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores” 
  1. A atitude de humildade: “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” 
  1. A atitude de louvor: “Porque Teu é o reino, e o poder e a glória para sempre.”

 

O  A M É M  É MAIS ALÉM

 

            É a oração pública participativa – Em 1 C. 14:16 o Apóstolo orienta os orgulhosos faladores de língua que se achavam superiores aos demais. Dizendo que ao orar em línguas, que haja intérprete, do contrário como se poderá dizer “amém” numa oração que não se entende? A oração e os dons é para a edificação da igreja. O Salmo 106:48 é didático na oração pública e participativa: “Bendito seja o Deus de Israel, de eternidade a eternidade; e todo o povo diga: Amém, Aleluia”

            É a pleno cumprimento das promessas divina – 2 Co 1:20: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm Nele o sim. Porquanto também por Ele é o Amém para a glória de Deus, por nosso intermédio.”

            É o fim da revelação de Deus – Apoc 3:14: “Ao anjo da igreja de Laodiceia escreve: estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.”  

            É a esperança sempre acesa em nós – Apoc 22:20: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!”

 

NOSSO AMÉM DEVE SER ENGAJADO E NUNCA ALIENADO

 

            Como o nosso “amém” pode ser deturpado?
            Quando é resposta serva da manipulação. Eis dois exemplos:

O primeiro exemplo é bíblico: Números 5:22 é uma maldição que faz parte da Lei dos ciúmes, uma lei sacerdotal provavelmente escrita no pós-exílio. Se um marido sentisse ciúmes de sua mulher, mas não tivesse provas de sua traição, levá-la-ia ao sacerdote com uma oferta, uma medida de cevada. O sacerdote colocaria a oferta na mão da mulher, pegaria uma água amarga e santa num pote (desconfio que o amargor da água seria algum pó esterilizante da mulher, e lia a seguinte maldição: “Que esta água amaldiçoante penetre em tuas entranhas, para te fazer inchar o ventre e murchar  o teu sexo. Então a mulher dirá: Amém! Amém!” Em seguida daria a água para a mulher beber. Se ela não sentisse o amargor da água era porque era inocente. Se sentisse era culpada e amaldiçoada no meio do seu povo. Seria o julgamento de Deus, chamado de ordálio, usado no oriente até à idade média, mas jamais chegando à anomalia de Números. É claro que tal lei era machista e servia também para afirmar o poder do sacerdote que era, no pós-exílio, juiz, médico e sacerdote.

            O segundo exemplo são técnicas de dominação usadas em muitas igrejas que produzem efeito deformador dos crentes. Eis algumas que precisam ser desmascaradas: “Se você acha que existe alguma coisa boa dentro de você, Deus vai derrubá-lo porque você é  mau” – “Amém”, grita uma plateia submissa. “Deus não vai compartilhar sua glória com você nem com ninguém” –  “Amém”, diz a plateia alienada. “Deus é Deus, e se ele tiver de levar um de seus filhos para chamar sua atenção, ele o fará” – “É verdade!…” concorda alguém e outros concordam com a cabeça. Estas são cenas comuns em muitas igrejas que permanecem por muito tempo na memórias das pessoas gerando imagens equivocadas sobre Deus. Hoje muitos líderes religiosos usam o amém até para animar o auditório dizendo: “Amém, irmãos!”

Quando é resposta mecânica à oração é automática e não inteligente, o amém também é deturpado.

O amém engajado  e libertador na missão no mundo tem no exemplo magnífico de Martin Luther King Jr na Carta da prisão de Birmingham. Tenho guardada no livro “Não Podemos Esperar” do grande líder dos direitos civis nos EUA. Decorei até dois textos belíssimos. A carta foi escrita em papel higiênico em resposta a um manifesto de líderes religiosos cristãos e judeus que o acusavam de extremista. No primeiro texto, ele escreve: “Tenho chorado de desapontamento com a frouxidão da igreja. Quando passo pelo sul dos Estados Unidos e vejo os belos templos com seus monumentais edifícios de educação cristã, eu me pergunto: Que tipo de cristão é formado aí, onde estavam eles quando seus irmãos de cor eram presos, torturados e mortos?… E escreve profeticamente: “Se a igreja de hoje não recuperar o espírito sacrificial da igreja primitiva, renunciará a lealdade de milhões que a deixarão de lado como irrelevante clube social, mantenedora do status quo, e sem significado nenhum para o nosso século.” E conclui a sua belíssima carta dizendo que “no alto do Calvário três homens morreram acusados do mesmo crime: serem extremistas. Um extremista do amor, e os outros dois extremistas da imoralidade.” O amém aqui é engajado e encarnado.

            A última palavra de minha mãe: “Amém”. Fui o último dos filhos a vê-la antes na enfermidade que a levou à morte. Estava em Recife… Cheguei em Curimatá no dia 18 de setembro, uma sexta-feira. Ela me reconheceu e eu pedi-lhe a bênção e ela me abençoou. Fizemos um breve culto. Na manhã seguinte, logo de manhã cedo, ela pediu-me que cantássemos um hino. Cantamos o hino “Descansando no poder de Deus…” Depois eu, minha irmã Estelita, de saudosa memória, e várias pessoas. Em seguinte orei e ela respondeu: “Amém!”… E esta foi sua última palavra, s palavra apropriada para uma grande mulher. Eu orei a Deus agradecendo sua preciosa vida, e ela respondeu: “Amém”. Orei entregando-a nas mãos de Deus, e ela respondeu: Amém”. Orei reafirmando a esperança cristã de novos céus e nova terra, e pedindo paz e consolação para o seu coração, e ela respondeu: “Amém.” Em seguida entrou em coma leve para não mais voltar.

Que nosso amém seja comunitário e dentro da vontade de Deus, que não aceitemos jamais a manipulação religiosa criadora de um “Amém” alienado e irrelevante, que ele seja a afirmação de nossa fé e de nossa missão no mundo, até aquele dia do amém eterno… Que, finalmente, o nosso “Amém” seja a encarnação do Pai Nosso…

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.