CRISTO É A NOSSA PAZ – Efésios 2:11-22

Série de sermões sobre “Paz para a Cidade” – 4

Pastor Julio Borges Filho

INTRODUÇÃO

– Vivemos uma época de guerras e rumores de guerra. Ucrânia, Afeganistão, Oriente Médio. A guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza tem origem milenar. Trata-se de uma histórica inimizade entre judeus e árabes, ambos os povos descendentes do Patriarca Abraão. No Brasil há uma guerra violenta contra crianças (28 menores morrem por dia no Brasil em decorrência de violência), contra mulheres e homossexuais. Neste contexto, vale a pena se recuperar as Boas Novas de paz do Evangelho de Jesus Cristo, mais precisamente, na carta do Apóstolo Paulo aos efésios.

 

– O belo texto que está hoje diante de nós, nos fala de nossas vidas sem Cristo, o que Ele fez por nós, e os benefícios de sua ação pacificadora e salvadora em nossas vidas. O tema é claro: Cristo é a nossa paz. Comamos e bebamos o belo texto. Ele alimentará nossas vidas e nos dará forças na nossa missão no mundo. O texto anterior fala da salvação pela graça Deus que nos alcançou em Cristo, concluindo que nós somos em Cristo “feitura/poema” de Deus criados para as boas obras. Poema é a mais bela construção literária, logo somos uma bela criação de Deus. E o nosso texto começa com uma ponte: “Portanto…”. Gosto mais da versão da BJ: “Por isso…”

 

  1. ANTES DE CRISTO, vrs. 11 e 12
  2. Éramos chamados de incircuncisos, gentios, alienados da comunidade de Israel. Os povos gentios eram governados por incipientes democracias ou aristocracias. Reis, ditadores e imperadores os governavam. Israel era uma teocracia. Dois textos bíblicos ilustram isso. O primeiro é quando Gideão lidera a luta contra os midianitas e os vence, o povo quer proclamá-lo rei, e ele sabiamente responde: “Nem eu nem meus filhos dominaremos sobre vós. O Senhor dominará sobre vós” – Juizes 8:23. O segundo é que a monarquia foi instaurada em Israel contra a vontade de Deus e de Samuel, e Davi, o segundo rei, não se considerava apenas um servo de Javé. Tanto que escreveu no salmo 145:1: “Exalar-te-ei o Deus meu e rei, e bendirei o teu nome”. O reino para Davi era o Reinado de Deus. Viver, na perspectiva paulina e evangélica, é está debaixo dos ideais do Reino de Deus.

 

  1. Estávamos sem Cristo – Era uma situação caótica. Sem Cristo não há verdadeira vida. Éramos como ramos fora da videira, secos e sem vida, seguindo as inclinações de nossa carne. Concordo plenamente com Paulo quando diz “Para mim o viver é Cristo…”. Não posso conceber a minha vida sem Jesus Cristo.

 

  1. Estranhos às alianças da promessa – Não conhecíamos as alianças Deus com Noé em defesa da vida, nem com Abraão iniciando a história da bênção, seguida com a de Isaque, Jacó e Israel que nos deu a lei mosaica. Vivíamos sem perspectivas, sem uma saída para a história humana, sem esperança advinda das promessas divinas. Em Êxodo 6:7 Deus diz promete a Moisés e, consequentemente ao povo hebreu escravizado no Egito: “Tomar-vos-ei por povo e serei vosso Deus”. E isso representava privilégios e responsabilidades. As promessas de Deus no Antigo Testamento eram promessas também de salvação messiânica, de um governo de paz, justiça, liberdade e sem corrupção. E eram as promessas que faziam o povo andar para frente. A palavra “bem-aventurados” em hebraico significa ir pra frente sempre e nunca pra trás.

 

  1. Sem esperança e sem Deus no mundo – Como disse antes, sem esperança não há perspectiva de saída para a história. E sem Deus a vida é absurda. Tal era a situação dos gentios agora alcançados pelas Boas Novas do Evangelho.

 

  1. O QUE ELE FEZ, vrs. 13-17
  2. Fomos aproximados pelo sangue de Cristo – “Ele morreu por todos, logo todos morreram”. Nosso pecado estava lá na cruz de Cristo. O batismo simboliza isso: morremos com Cristo e ressuscitamos com Ele em novidade de vida. Ele veio para destruir todas as barreiras que separam as pessoas. Na hora de sua morte o véu do templo se rasgou de cima a baixo, precisamente o véu de linho que separava o lugar santíssimo dos olhos humanos. Apenas o sumo sacerdote, uma vez por ano no dia da expiação para interceder pelo povo, poderia estrar lá porque lá estava a presença fulminante de Deus. Agora no sangue de Cristo fomos aproximados e podemos nos dirigir diretamente a Deus. Todos somos sacerdotes e não precisamos mais de mediação humana para nos relacionar com Deus. Ademais o templo de Jerusalém era cheio de barreiras: átrio dos gentios, átrio das mulheres, átrio dos israelitas, átrio dos piedosos, o lugar santo onde só sacerdotes podiam entrar, e o lugar santíssimo. Agora, em Cristo, todo lugar é átrio e lugar santo. Ele derrubou todas as barreiras.

 

  1. Ele é a nossa paz… – Isso é revolucionário. Cristo não apenas nos dá paz, Ele é a nossa paz. Se examinarmos sua vida, desde o nascimento, a paz esteve presente na sua pessoa. Quando nasceu em Belém os anjos desceram do céu anunciando seu nascimento a humildes pastores segregados da sociedade e cantando: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem Ele quer bem.” Aos 12 anos reivindicava sua maioridade discutindo com os doutores da lei no templo de Jerusalém, e durante seu ministério derrubou todas as barreiras que separavam as pessoas na sociedade da época. Atraia as criancinhas, a mulheres, os publicanos e pecadores. Tinham mulheres como sua amigas íntimas e algumas sustentavam financeiramente seu ministério, e escandalizou seus discípulos quando conversou sozinho à beira do poço de Jacó com a mulher samaritana. Ele disse: “Eu quando for levantado da terra, a todos atrairei a mim”- João 12:32. Na cruz, entre a terra e o céu, resumiu nossas dores quando clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Ele é o Rei do Amor e da Paz e nos atraiu por isso. O Apóstolo Paulo resume assim a obra reconciliadora de Jesus Cristo: “Em Cristo não pode haver judeu, nem escravo nem liberto, nem homem nem mulher; pois todos sois um em Cristo” –Gálatas 3:28; “Porque em Cristo Jesus circuncisão ne incircuncisão tem valor algum, mas a fé que atua em amor” – Gálatas 5:5; e No novo homem “não pode haver grego nem judeu, circuncisão ou incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre, porém é tudo em todos” – Colossenses 3:11.

 

  1. Fez a unidade e destruiu a inimizade – Jesus Cristo aboliu em sua carne a lei dos mandamentos. Para Paulo “Cristo é o fim da lei”- Rm 10:4.  Ele “cancelou o escrito da dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente encravando-o na cruz” – Cl 2:14.  Assim o Senhor acabou com o legalismo como princípio religioso colocando a sua lei em nosso interior na força do Espírito.Liquidou com todas as formas de preconceito, combateu a intolerância e a inimizade entre as pessoas, e a sua mensagem universal se adapta a qualquer cultura condenado o mal e afirmando o bem.

 

  1. Evangelizou a paz – Aqui o Apóstolo das gentes cita o profeta Isaias (57:19): Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e paz para os que estão perto, diz o Senhor”.  Longe estavam os gentios, e perto os judeus. As Boas Novas do Evangelho, após o Pentecostes, começam em Jerusalém, Judéia, Galiléia e Samaria e alcança até os confins da terra – Atos 1:8. Uniu num só corpo gentios e judeus reconciliando com Deus homens e mulheres de todas a raças, nações, culturas, etc.

 

  1. DEPOIS DE CRISTO, vrs. 18-22
  2. Nele todos temos acesso ao Pai e um Espírito – Como mencionei antes, o véu do templo rasgado escancarou Deus para todos criando uma irmandade de filhos de Deus através do Espírito Santo. Como Jesus todos podemos orar chamando Deus de “Abba Pai” (Paizinho). Somos de fato filhos de Deus em Cristo.

 

  1. Temos plena cidadania como filhos de Deus – Somos agora da família de Deus. Nossa história é a história sagrada conforme nos revelada na Bíblia. Estávamos lá no Jardim do Éden com nossos primeiros pais e caímos com eles. Ouvimos como eles a promessa de que da descendência da mulher surgiria o vencedor do mal (Gn 3:15). Estivemos com Noé no Dilúvio em defesa da vida. Fomos chamados como Abraão para sermos uma bênção para o mundo. Participamos do êxodo dos hebreus sob a liderança de Moisés, e peregrinamos rumo à terra prometida em busca de uma nova sociedade humana baseada em leis justas. Os profetas de Israel são nossos companheiros. Estávamos com Jesus em sua andanças pela Terra Santa, morremos com Ele na cruz do Calvário e com Ele vencemos a morte. Participamos do Pentecostes e da expansão do Evangelho, fazemos parte da Igreja de Cristo, e estaremos lá quando Ele voltar, e mais: passearemos na Nova Jerusalém, a capital do universo. Estamos certos como Paulo de que nada nos separará do amor de Deus que está em Cristo, nosso Senhor – Romanos 8:32-39.

 

 

  1. Temos fundamento – “Os Apóstolos e profetas” da Nova Aliança, tendo Jesus Cristo como a pedra angular, a coluna de sustentação do edifício vivo.

 

  1. Somos habitação de Deus no Espírito – Templos do Espírito Santo, santuários de Deus por Ele não habita em templos feitos por mãos humanas. Está em nós onde andarmos. Jamais estaremos sozinhos.

 

CONCLUSÃO

O texto nos fala que Jesus Cristo veio ao mundo para ser ponte de reconciliação na construção de uma nova humanidade à imagem e semelhança da Trindade Santa – Gn 1:26 e 27.

 

– Diz que a paz tem três dimensões simbolizadas na cruz de Cristo: A vertical (paz com Deus), a horizontal (paz com os outros), e a de profundidade (paz conosco mesmos). Em outras palavras: a verticalidade do Pai que nos conduz à adoração de filhos; a horizontalidade do filho que nos direciona para os relacionamentos e missão no mundo, buscando a irmandade humana em Cristo, e a  profundidade do Espírito que nos dá paz interior e identidade de filhos de Deus. Deus, o Pai, está infinitamente acima de nós; Deus, o Filho, está conosco; e Deus, o Espírito, está em nós. Temos um Pai amoroso, temos um irmão maior, e temos uma Mãe consoladora.

 

– Enquanto gestava este sermão um amado casal de ovelhas me veio à mente: O irmão Chano e a irmã Fidelina. Fui pastor deles na Terceira Igreja Batista do Plano Piloto. Ele foi um homem valente e violento, mas, após sua conversão, Cristo o transformou num cordeiro. Era um homem manso e amoroso, profundamente apaixonado pela sua esposa. Gostava muito de Jusiel, meu saudoso filho, por que eram semelhantes no espírito. Ela era uma mulher bonita, mas, por causa de um derrame, tinha dificuldade em articular as palavras, Gaguejava ao falar. Ele teve um câncer no baço, foi internado no Hospital Presidente Médici, hoje, Universitário, e desenganado pelos médicos que lhe deram, no máximo, três dias de vida. A família e os médicos me chamaram para lhe dar a notícia. Fui visitá-lo numa tarde com a difícil missão. Entrei no seu quarto e o saudei: “Como vai, irmão Chano?” Ele me respondeu bem-humorado: “Pastor, estou sentindo dores terríveis, mas a sua chegada já está me aliviando delas”. Eu fui direto e lhe disse que tinha uma notícia boa e outra ruim para dar. Ele pediu-me que começasse com a ruim. Falei: “Os médicos o desenganaram e lhe deram apenas três dias de vida aqui na terra…” Ele absorveu a notícia como se já soubesse disso, e acrescentou: “E a notícia boa?” Eu respondi: “Sua vida está nas mãos de Deus”. E ele, em estado de graça, sorriu e disse: “E o pastor conhece melhores mãos do que essas?” Orei com ele pela última vez porque na manhã do dia seguinte faleceu. Sua filha me telefonou comunicando a morte e pedindo que eu fosse comunicar a notícia à sua mãe que já estava pronta para ir ao hospital visitar o seu amado esposo. Entrei no apartamento na 408 Norte, pedi para ficar a sós com a irmã Fidelina no quarto dela. O quarto estava todo arrumado como se a cada dia ele esperasse o retorno do marido. Eu pedi a ela que se sentasse na cama. Fiquei de pé e lhe disse: “Irmã Fidelina, o irmão Chano foi promovido à glória e nos deixou”. E algo extraordinário aconteceu. Ela se levantou da cama, levantou seus braços abertos e mãos, e orou com uma pureza e serenidade, fluentemente sem titubear em nenhuma palavra: “Graças Te dou, meu Pai, porque meu Chano deixou de sofrer e está contigo. Ele vai deixar muita saudade em meu coração, minha vida vai ser difícil sem ele, mas eu te louvo pelo tempo que vivemos juntos, tempo de alegria e felicidade. Em nome do Senhor Jesus. Amém.” Saí dali confortado na minha fé e pensando: “Isso é dom de línguas… É ação do Espírito Santo… É isso que Jesus faz por nós. Mesmo em meio às perdas da vida a sua obra salvadora se revela confortadora e libertadora. ELE É A NOSSA PAZ!…

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.