Evangelho de João: O Senhor das distâncias

EVANGELHO DE JOÃO:  VIDA PARA A CIDADEPastor Julio Borges Filho

Sermão 2:                   O SENHOR DAS DISTÂNCIAS             –         João 4:46-54

Introdução:

– João escreveu seu evangelho para evangelizar a cidade de Éfeso, do mundo grego. Selecionou sete milagres como está exposto no prefácio do livro colocado no capítulo 20:30 e 31: Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos, muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Este, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o ;Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. Ele o fez para fazer uma apresentação perfeita de Jesus Cristo.

– Vimos no sermão anterior Jesus como o Senhor da qualidade. Agora vamos para o segundo sinal que apresenta-O como O Senhor das distâncias. Ele curou o filho do oficial do rei Herodes Antipas há mais de 30 quilômetros de distância. Sua Palavra tem o poder de ir onde Ele não está, e pode alcançar sua vida onde você estiver. Entremos com reverência nesta bela página do evangelho de João.

– Eis o contexto bíblico: Após o milagre de Caná da Galiléia, Jesus vai a Jerusalém, na Judéia, purifica o templo (2:13-22); muitos crêem nEle, mas Jesus não confiava neles (2:23-25); encontra-se com Nicodemos e explica sua missão no mundo (3:1-21); há o humilde testemunho de João Batista (3:22-30); oferece vida em si mesmo (3:31-36; encontra-se, na volta, com a mulher samaritana, o maior diálogo de dos evangelhos; e retorna à Galiléia onde foi bem recebido e dirige-se novamente a Caná.

I. Um pai com uma situação aflitiva, V. 46

1. O oficial do Rei Herodes Antipas: filho enfermo em Carfarnaum

Seria ele o famoso centurião de Carfarnaum descrito em Mateus 8:5-13 e Lucas 7:1-10? Muitos comentaristas crêem ser a versão de João do mesmo fato. Todavia, basta comparar os textos para notar as diferenças: 1) Um era centurião, o outro oficial do rei; 1) o encontro de Jesus com o centurião se deu em Cafarnaum, com o oficial do rei em Caná da Galiléia; 3) quem estava enfermo era o servo do centurião, aqui é o filho do oficial; 4) o centurião não se acha digno de Jesus entrar em sua casa, o oficial quer levá-lo à sua casa; e 5) um é elogiado por Jesus, o outro é repreendido. Em comum apenas o fato de que se tratava de dois homens de fé. Outros comentaristas dizem que se trata do esposo de Joana, uma das santas mulheres que sustentava o ministério de Jesus. Neste caso seu nome seria Cusa (Lucas 8:3). Seja o que for se tratava de um homem rico e de boa posição social que veio procurar Jesus na sua angústia e aflição de pai.

2. Implicações:

As aflições sobrevêm tanto a ricos como a pobres.

– As enfermidades de morte vêm tanto aos moços como aos velhos. Mas não há dor maior no mundo do que a dor de um pai ou mãe diante da morte de seu filho. A Bíblia relata tragédias: O primeiro sepulcro cavado no mundo foi para enterrar um jovem, Abel, segundo filho de Adão e Eva; Arão, irmão de Moisés, viu dois filhos morrerem de uma só vez; Davi, o homem segundo o coração de Deus, presenciou a morte trágica de três filhos; e Jó perdeu todos os filhos num só dia. Daí a importância de se está preparado diante das incertezas da vida. Jesus disse que a fé cristã não nos vacina contra os males do mundo. Eis suas claras palavras: Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mais tende bom ânimo; eu venci o mundo – Lucas 16:33. A paz que Ele dá não é ausência de aflição, mas certeza da vitória.

– E, finalmente, as aflições trazem muito benefício para a alma. Paulo diz que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Alguém já disse que “Aquilo que nos fere é aquilo que nos cura.” Geralmente aprendemos mais com as coisas ruins que nos sobrevêm do que com as boas. As árvores mais fortes são as testadas pelas tempestades.

II. Os quatro graus da fé, Vrs. 47-53

  1. 1. O início: quando se dirigiu a Jesus pela primeira vez

Um oficial do rei, vence o orgulho, e se dirige ao nazareno, filho do carpinteiro. A dor não tem compostura. Ele viajou mais de 30 quilômetros, cerca de um dia de viagem na época, porque ouviu falar de Jesus e descobriu nele a única chance de salvação de seu filho.

 

  1. 2. A persistência diante da resposta de Jesus

Poderia ter desistido quando Jesus lhe disse: Se, porventura, não virdes sinais e prodígios, de modo algum crereis. Como a mulher Cananéia, persistiu: Senhor, desce, antes que meu filho morra, Estava seguro que Jesus lhe ajudaria. Jesus mesmo nos aconselha a sermos persistentes em nossos pedidos. Até contou a parábola da viúva persistente diante de um juiz iníquo sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer. E argumenta: Se aquele juiz que não temia a Deus nem respeitava homem algum, atendeu a viúva porque lhe importunou, quanto mais vosso Pai que está nos céus. A persistência é o segundo degrau da fé.

 

  1. 3. O crescimento: quando ouvia Jesus dizer que seu filho vivia

Então, disse Jesus, teu filho vive. O homem creu na palavra de Jesus e partiu. Estava diante de uma autoridade maior do que o rei a quem servia. Viu o invisível e ansiava abraçar seu filho. Voltou a Carfarnaum pleno de alegria.

 

  1. 4. A perfeição: Jesus cura à distância

Quando seus servos o encontraram, ainda no caminho de volta para casa, ele indagou sobre a hora em que o rapaz ficara curado: na hora sétima, isto é, às 13 horas em nosso horário, precisamente a hora em que Jesus disse teu filho vive. E, conclui o texto, e creu ele e toda a sua família. É a rendição total. Antes procurava um rabi curandeiro; agora encontra o salvador do mundo. A fé só é verdadeira fé quando compartilhada. Ele comunicou à sua esposa, a seu filho, a seus servos, e todos também creram. É o poder propagador da fé amadurecida.

 

III. O SENHOR DA DISTÃNCIA

  1. 1. A palavra de Jesus vale tanto quanto a sua presença.

 

Ele falou em Caná da Galiléia e, na mesma hora, o rapaz ficou bom em Cafarnaum a mais de 30 quilômetros de distância. É a palavra que deu origem o mundo o poder maior. Ela abre em nós uma vida de amplas possibilidades. Eis o que disse Jesus em João 15:7: Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito. Não devemos duvidar das palavras de Jesus.

 

  1. 2. E a Palavra se vez carne…

 

Assim expressa João no prólogo do seu evangelho. O milagre dos milagres aconteceu. O infinito tornou-se finito; o onipotente, potente; o onipresente, presente, o ilimitado, limitado. Nele, diz Paulo, habitou corporalmente toda a plenitude da divindade. Era o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem na expressão misteriosa da fé cristã. Sua palavra e as sua pessoa são uma só coisa: a realidade divina e humana. Ele se manifestou na carne, como o novo Adão, para remir os que estavam mortos em suas ofensas e pecados dando-lhes vida. É pura graça de Deus. Jesus é o Senhor de todas as distâncias: as físicas, as sociais, e as espirituais. Por isso mesmo é o salvador da humanidade e do mundo.

 

Conclusão:

– O problema da distância é um dos problemas humanos. Numa cidade isso se verifica nos lares, na economia, na política, na religião. Permeia as instituições humanas. Como o filho prodigo, a força que nos traz de volta ao Pai, é a voz do Pai que nos acompanha. Tal voz é Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, o caminho de volta.

 

– Importa crer como o oficial do rei, mesmo sem ver. Não precisamos do teste de São Tomé porque bem aventurados são os que não viram e creram. Hoje o povo busca sinais e prodígios para crer. Mas basta a palavra de Jesus de Nazaré, “viva e eficaz, mais penetrante do que espada de dois gumes…”

 

– Só há um caminho para a vida: o caminho da fé e da rendição total. Saiba que onde estiver e como estiver a palavra de Cristo o encontra porque Ele é o Senhor das distâncias.

*Pregado na Igreja Cristã de Brasília no domingo 20 de março de 2011.

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.