LEMBRANÇAS BEM LEMBRADAS

José Carlos Santos

            “Afastou a paz da minha alma; esqueci-me do bem. Então, disse eu: já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no Senhor. Lembro-me da minha aflição e do meu pranto, do abismo e do veneno. Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim. Quero trazer à memória o que pode me dar esperança.” Lm 3 : 17 a 21

Jeremias sentia-se um profeta fracassado. Pregou por mais de 40 anos e ninguém se converteu. Pregou, exortou, chorou e lutou para alertar o povo da grande destruição que estava a caminho. Viu sua nação desintegrar-se moralmente e também viu sua destruição, saque e humilhação. A dor estava todo o tempo em sua memória. Sua esperança, por um breve momento, estava sem norte. Suas feridas eram latentes. Mas, em uma fração de segundos, ele mudou completamente a sua oração. A dor e o desespero transformaram-se em um brado de esperança: “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança.” Em outras palavras, contextualizando… Olha! Quer saber, cansei de ficar lembrando só de coisas ruins. Isto não vai me levar a nada. O mal que poderia acontecer, já aconteceu. Quer saber? Também aconteceram coisas boas. Vou preencher minha mente com essas boas lembranças.

A maioria das nossas decisões é influenciada por aquilo que está em nossa mente. Nossos tormentos não vêm de fora, estão todos cravados em nossa memória. Nosso equilíbrio ou desequilíbrio psicoemocional se devem basicamente à maneira como nossas lembranças são assimiladas. Há lembranças que são escritas em nossa mente com traços de dor, gerando imagens em cores cinzentas e opacas. Imagens provocam sentimentos e sentimentos determinam comportamentos. Por isso, algumas pessoas não conseguem acreditar em dias melhores. Suas emoções são alimentadas por imagens sabotadoras e desequilibrantes.

 

“As pessoas procuram tratamento psicanalítico porque o modo como estão lembrando não as libera para esquecer.”

Frase do psicanalista Adam Philips, publicado no livro O flerte.

Em Apocalipse 3:1-6, Deus faz promessas e advertências à Igreja de Sardes,  conhecida como a “Igreja morta”. O texto diz que a única coisa que ela deveria fazer para seguir em frente era lembrar-se dos dias bons. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te”. Precisamos ter a coragem de avaliar as lembranças ruins que estão em nossa mente. Há lembranças que precisam ser apagadas, pois já causaram o mal a que se propuseram. Algumas precisam ser entendidas e reavaliadas, podem ter sido superdimensionadas. E outras precisam ser mantidas didaticamente em nossa memória, porque mesmo sendo dolorosas nos deram força para lutar, crescer, vencer e chegar a um patamar melhor na vida. Um mal necessário. Crescer dói e ninguém cresce só no bem bom.

 

Uma característica marcante de uma pessoa é a memória. Sem lembranças o sujeito se torna objeto. A pior doença da velhice é o “Mal de Alzheimer” por que ela apaga as lembranças. A perda de memória é progressiva e obedece a um ingrediente temporal, segundo o qual a incapacidade para lembrar fatos recentes, contrasta com a facilidade para recordar o passado. (Conceito segundo Dr. Drauzio Varella). As pessoas tem uma facilidade incrível para esquecer as coisas boas e recente em suas vidas, para viver um aprisionamento nos pensamentos doentios do passado.

 

Lembrar bons momentos renova nossa capacidade de sonhar.  Nos torna mais corajosos, mais esperançosos. Jesus sabia tanto disto que instituiu um memorial para nos lembrar de seu sacrifício e amor: a Ceia. Ela é símbolo de esperança, renovo e reconhecimento. Por isso, é necessário seguir a orientação de fazer um flashback de tudo que está em nosso coração. Não é desenterrar o esgoto que está dentro de nós, mas lembrar das benesses de Cristo em nossa vida. É aceitar que seu sangue poderoso pode  lavar toda impureza e renovar nossas forças para uma nova caminhada. É refletir, buscar na memória os livramentos, as bênçãos, os bons momentos de comunhão, os milagres e tomar decisões. Ninguém se cura remoendo debilidades e deficiências. A culpa não leva ninguém a um patamar de equilíbrio. A Ceia, portanto, é um memorial para fortalecer, encorajar e implementar mudanças. “mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo”.  João 16 : 33

 

Vale lembrar que o ânimo é produto de uma alma fogosa, e que o entusiasmo procede de Deus. Entusiasmo vem de duas palavras gregas: “En”e “ Theos”, literalmente “Em Deus”.

 

Mas, qual o segredo para ter boas lembranças?

 

1º.    Valorize o amor de Cristo em sua vida. Mantenha a comunhão e a gratidão. Elas nos dão força para continuar a crer que dias melhores virão.

2º.    Para que um acontecimento fique registrado em nossa memória, ele precisa ter mexido com as nossas emoções. Por isso, coloque sentimento em tudo o que você fizer. Abrace com ternura. Sorria com as pessoas que você ama. Invista em tudo que lhe dá prazer e lhe traz equilíbrio.

3º.    Mostre a você mesmo que existe um futuro cheio de oportunidades para você desfrutar. Se você está em Cristo, você já tem entusiasmo. Portanto, faça seu ânimo ser fogoso, inquieto e vibrante.

4º.    Desperte o coração de artista que há em você. Cante, dance, escreva uma carta a Jesus, faça uma poesia ou um diário registrando suas lutas e vitórias. Não é à toa que louvamos a Deus e nos sentimos melhor. A música tem o poder de nos despertar.

 

            Como disse Jeremias: “Quero trazer a memória aquilo que pode me dar esperança”.

José Carlos Souza Santos

Sobre José Carlos Souza Santos

Bacharel em Teologia e com formação em Gestão Comercial, atua na área de consultoria em Gestão Empresarial e Comercial. Pai de Calebe Naves santos (15 anos), Priscila Naves Santos (13 anos) e Daniel Naves Santos (11 anos).  Convertido aos 16 anos sempre foi envolvido com as questões eclesiásticas. Aos 18 anos assumiu a Primeira Igreja Batista no Novo Gama interinamente. Trabalhou nesta Igreja por 5 anos. Transferiu-se para a Primeira Batista de Sobradinho, onde criou a União de adolescentes Batista na Igreja. Com este Trabalho bem sucedido foi convidado a coordenar os adolescentes  do campo Batista no DF ocupando o cargo de conselheiro na JUBRAS (Juventude Batista de Brasília). No ano de 1997 ingressou na Faculdade Teológica Batista de Brasília. No ano de 1998 foi convidado a assumir a congregação da Igreja Batista Geração Eleita em Sobradinho. Por este período foi organizada a congregação em Igreja Batista do Setor de Mansões de Sobradinho. Igreja a qual pediu sua ordenação ao Ministério Pastoral no ano 2001. O concílio se organizou na Convenção Batista de Brasília com a presença 26 pastores e convidados. Foi aprovado por unanimidade e consagrado ao Ministério Pastoral no dia 25 de setembro de 2001. Pastoreou a Primeira Igreja Batista do setor de Mansões até o ano de 2007. Retorno ao Pastorado após 7 anos de peregrinação e aprendizado. Pronto para cumprir a caminhada que foi proposta Pelo Senhor nosso Deus.Bacharel em Teologia e com formação em Gestão Comercial, atua na área de consultoria em Gestão Empresarial e Comercial. Pai de Calebe Naves santos (15 anos), Priscila Naves Santos (13 anos) e Daniel Naves Santos (11 anos).  Convertido aos 16 anos sempre foi envolvido com as questões eclesiásticas. Aos 18 anos assumiu a Primeira Igreja Batista no Novo Gama interinamente. Trabalhou nesta Igreja por 5 anos. Transferiu-se para a Primeira Batista de Sobradinho, onde criou a União de adolescentes Batista na Igreja. Com este Trabalho bem sucedido foi convidado a coordenar os adolescentes  do campo Batista no DF ocupando o cargo de conselheiro na JUBRAS (Juventude Batista de Brasília). No ano de 1997 ingressou na Faculdade Teológica Batista de Brasília. No ano de 1998 foi convidado a assumir a congregação da Igreja Batista Geração Eleita em Sobradinho. Por este período foi organizada a congregação em Igreja Batista do Setor de Mansões de Sobradinho. Igreja a qual pediu sua ordenação ao Ministério Pastoral no ano 2001. O concílio se organizou na Convenção Batista de Brasília com a presença 26 pastores e convidados. Foi aprovado por unanimidade e consagrado ao Ministério Pastoral no dia 25 de setembro de 2001. Pastoreou a Primeira Igreja Batista do setor de Mansões até o ano de 2007. Retorno ao Pastorado após 7 anos de peregrinação e aprendizado. Pronto para cumprir a caminhada que foi proposta Pelo Senhor nosso Deus.