O Amor Conjugal

Sermão especial: O A M O R C O N J U G A L – Efésios 5:15-33

Pastor Julio Borges Filho

INTRODUÇÃO:

– Textos da vida: duas inspirações concretas

1º) No domingo 12.07.2105 fui convidado para o almoço comemorativo dos 80 anos do diácono Laécio Barros. Tanto ele quanto sua esposa Amélia farão parte do meu livro VIDAS PERFUMADAS inspirado em João 12 no jantar oferecido pelos irmãos de Betânia a Jesus uma semana antes de sua morte na cruz e para homenagear meus heróis na fé durante os meus quase 47 anos de ministério pastoral. Laécio e Amélia foi o casal mais harmonioso, humorado e maduro que já encontrei. Casaram-se novos, têm 54 anos de vida conjugal, tiveram quatro filhos, perderam a primogênita, e tive o privilégio de celebrar os casamentos de seus três filhos que baseados nos pais construíram famílias bem estruturadas e felizes, e os seis netos seguem no mesmo caminho, todos crentes fiéis em Cristo e à sua igreja,

2º) Curiosamente no dia seguinte, 13.07.2015, abri meu computador no site da YAHOO e deparei com uma foto e notícia linda: um casal de 75 anos juntos morrem abraçados. Eis os dados principais: Uma história de amor verdadeira, dessas muito difíceis de se encontrar. Alexander e Jeannette Toczkos conheceram com apenas oito anos e, desde então, são inseparáveis. Tão grudados que, 75 anos depois do dia do casamento, morreram juntos e abraçados.
Após mais de sete décadas felizes e juntos, os dois começaram a ver as coisas irem mal quando Alexander sofreu um acidente e quebrou seu quadril, ficando preso à cama. Quase que imediatamente, Jeannette também passou a ter uma piora na saúde e teve ser internada.
Vendo o amor incondicional dos dois, o hospital em que ficaram internados fez questão de disponibilizar uma cama especial para que eles ficassem juntos durante a internação. O amor e cumplicidade entre eles era tão grande que, após um tempo internados, eles morreram abraçados e com apenas algumas horas de diferença.
Aimee, filha do casal, resolveu fotografar o momento para eternizar o amor de seus pais. O resultado é uma das fotos mais comoventes já vistas e, claro, uma das maiores provas de que o amor verdadeiro existe e resiste a qualquer coisa.

– Texto da Bíblia: Efésios 5:21-33 – É importante que esta parte da carta aos Efésios se inicie no v. 15-21 falando da vida cristã prudente e sábia sem imitar as obras das trevas e da submissão do casal no temor de Cristo. É um texto belíssimo sobre o relacionamento conjugal. Vamos comê-lo hoje sentindo o seu sabor, e isso fará bem a todos nós que nos casamos ou que pretendemos nos casar, já que a união

  1. UMA ALIANÇA ETERNA. vrs. 24-30

  1. Símbolo da aliança de Cristo com a Igreja. O objetivo do Senhor, o noivo e esposo, é revelar uma igreja melhor, sem mácula nem ruga até a perfeição. No amor conjugal cada um é desafiado a revelar o melhor no outro. Daí a ênfase ao culto com salmos, hinos e cânticos espirituais… Há um hino de casamento que é uma oração, numa das estrofes termina assim: “Ó Deus, que aperfeiçoaste os lírios, perfeito faze o nosso amor.”

  1. É um mistério divino e dá significado à vida. Quando o profeta quer falar do caos, diz “Farei cessar a voz do noivo e voz da noiva…” Sem tal voz a vida perde todo encanto na face da terra. É o amor de um homem e uma mulher que inspira os poetas, os escritores, que anima uma boa festa, e que traz esperança para o mundo. Acho que já celebrei uns 500 casamentos, conheci centenas de história de encontros e amor, e sempre acho que isso é um mistério divino. No meio de milhões de pessoas, um homem e uma mulher se encontram e se amam, e se unem criando uma nova família. Deus tem de estar nisso.

  1. No tempo e na eternidade. Quando noivo de Gil estávamos à noitinha num banco de uma praça próximo do Seminário em Recife onde estudávamos. Construindo sonhos, sonhando juntos e contemplando estrelas. Ela olhou para mim com aquele olhar apaixonado e me perguntou: “Será que no céu nós vamos nos reconhecer?” Em vez de falar o poeta, falou o burro teólogo que tem respostas para tudo. Disse a ela como arrogância teológica: “Jesus disse que seremos como os anjos, e que no céu não se casa nem se dá em casamento, que a união conjugal e sexual é própria para este mundo”. Vi uma lágrima rolar de seus belos olhos. Como me arrependi de minha arrogância!… Hoje, penso diferente. Acho que o casal é uma só carne e uma só alma, e que de alguma maneira estão unidos no tempo e na eternidade. Como será isso, só Deus sabe, mas eu também espero dar aquele abraço que não dei na despedida de meu filho que partiu há mais de 12 anos. Talvez não mais na relação de pai e filho, mas como irmãos na pátria da absoluta realização humana. Li vários relatos de pessoas que tiveram experiência de morte e voltaram a viver e, em muitos casos, são familiares que os recepcionam no céu.

  1. EXIGE SUBMISSÃO, RESPEITO E AMOR, vrs. 21-33

  1. Submissão mútua no temor de Cristo, v. 21.

  1. O homem anseia por respeito. É papel da esposa valorizar e respeitar o marido, e ninguém faz isso melhor que uma mulher. Ela tem a capacidade de restaurar o homem tanto física como emocionalmente. Acho que é por isso que quando Provérbios 31 fala da mulher virtuosa, afirma: “o coração do seu marido confia nela e, quando senta-se com os anciãos na praça, é respeitado.” (Prov. 31:23).

  1. A mulher sonha em ser amada. Sua maior ambição é provocar amor. O marido deve amar sua mulher até os limites extremos, assim como Cristo o fez com a igreja. Paulo dá uma ênfase especial ao amor do marido pela sua esposa dizendo que ele é sacrificial, é puro (ela é única), é carinhoso pois ela a ama como ao seu próprio corpo. Uma mulher amada é uma mulher realizada e feliz.

  1. PRECISA SER CULTIVADO

  1. É prioritário. “Por isso deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher tornando-se os dois uma só carne” – Gn 2:24. Também Cristo deixou Pai e Mãe e se uniu à humanidade pecadora para criar uma humanidade santa e sem defeito. Uma pesquisa nos Estados Unidos com cem casais bem sucedidos no casamento revelou que a causa primeira do sucesso foi a prioridade da relação conjugal. N lei mosaica o recém casado na ia a guerra porque o primeiro ano do casamento era para se dedicar à sua esposa.

  1. É planta de jardim e, como tal, precisa ser cultivado diariamente nos pequenos gestos, na fuga da monotonia, na transparência, na comunicação, no andar juntos e realizar coisas juntos. “Juntinhos viveremos, juntinhos oraremos. A felicidade será sempre nossa hóspede, e a harmonia seria sempre nosso lema”, escrevi no meu convite de casamento há mais de 46 anos. É nosso ideal embora falhemos algumas vezes.

  1. Crescimento e amadurecimento no amor conjugal implica no uso criativo dos conflitos, em jamais deixar problemas se acumularem (“Não se ponha o sol sobre a vossa ira”, orienta o Apóstolo Paulo), na harmonia cotidiana e na sábia criação dos filhos. Estes são a melhor escola do relacionamento conjugal. Quando algo incomoda e é persistente, precisa ser comunicado. Crescendo juntos, o casal com o tempo se parece. Quando se fala de um se lembra do outro. Acho que Jesus pensava num casal com um filho quando disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles.” A família é, portanto, a igreja por excelência.

CONCLUSÃO

– Ninguém se casaverdadeiramente para se separar depois. Casa-se para sempre. As separações surgem por causa da dureza de corações, isto é, por somos falhos. Mas não devemos desistir, mas lutar por um amor conjugal sadio, maduro, harmonioso e que seja uma bênção na sociedade.

– Talvez não cheguemos à harmonia de um Láecio e Amélia, ou a morrermos juntos e abraçados como Alexander e Jeannette. Mas sonhar é preciso. Por que viver a vida neste mundo sem o amor conjugal é solidão na certa. Mas viver amando alguém que caminha a nosso lado é fazer da vida um SONHO COBERTO DE ROSAS:

A vida é um sonho coberto de rosas

Quando se tem um amor.

Pode haver espinhos que ferem,

Pode haver dor que maltrata.

Mas para os que têm um amor

Cada instante é uma pétala dourada

De um sonho coberto de rosas.

Não chores, querida, que eu choro

Os espinhos que ferem a vida.

Se cantas, querida, eu canto

A vida que sonho coberto de rosas.

Não temas, não chores, não temas

O presente, o passado e o futuro.

Pois para os que amam na vida

Cada instante é uma pétala dourada

De um sonho coberto de rosas.

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.