Os quatro fiats

Introdução:

– A história do mundo se apóia numa palavra muito simples: Fiat.

– Os quatro fiats da revelação bíblica que são quatro colunas fundamentais do mundo: o Fiat de Deus, o Fiat de uma moça nazarena, o Fiat do Filho de Deus, e o nosso Fiat. Eles nos envolverão totalmente.

I. Os quatro fiats

1. Gênesis 1:3: “Fiat luz” = “Faça-se luz…” – É a expressão da Palavra de Deus. Ele sai do seu próprio silêncio denso de mistério e faz surgir do nada todas as coisas. Não havia tempo nem espaço, mas o caos. É Fiat cósmico e o centro do universo.

2. Lucas 1:38: “Fiat mihi secundum verbum tuum” = “Faça em mim conforme a tua palavra” – Com este Fiat de Nazaré, Deus desceu à terra e se fez homem. A palavra de Maria possibilitou que o Verbo/Logos se fizesse carne e fizesse sua tenda no meio de nós. É o milagre da encarnação e o centro da história humana.

3. Lucas 22:42: “Nom mea voluntas, sed tua Fiat = “Não se faça a minha vontade, mas a Tua” – O “Fiat” angustiado de Jesus no Getsêmane que brotou do dramático contraste entre a carne e o espírito. E da escuridão do horto surgiram as fagulhas da redenção. É o centro da redenção da humanidade.

4. Mateus 6:10: “Fiat voluntas tua sicut in coele et in terra” = “Seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu” – É a nossa oração que tem o poder de recompor a unidade do nosso ser após a desordem e a desagregação do pecado, e restabelecer a harmonia divina em nós, e devolver-nos a imagem e semelhança de Deus. É o centro da vida e da Igreja.

II. A relação íntima dos fiats (o resumo da história da redenção do mundo)

  1. 1. “E disse Deus: Faça luz, e houve luz” – O primeiro elemento criado foi a energia e, a partir dela, Deus criou todas as belezas do universo. Todas as coisas trazem a marca da grandeza e da bondade de Deus. Finalmente Deus criou o homem, obra prima da criação. Fê-lo do barro da terra.

– Barro, mas com o sopro de Deus;

– Barro, mas dotado de inteligência e liberdade;

– Barro, mas capaz de amar e de adorar;

– Barro, mas plasmado conforme a imagem e semelhança da Trindade Santa.

De um lado o ser humano é a síntese da criação, o representante da terra, e de outro a expressão do vulto invisível de Deus.

Surge a queda do homem e da mulher: todos os seres foram traídos pelos seus representantes mais qualificados. Cedia o ponto mais delicado da criação. Surge o abismo da desordem, da desagregação, desolação e morte. Consequência: morte, corrupção e confusão.

 

  1. 2. Deus toma a iniciativa e desce até o homem: a encarnação. Eis o Fiat de Maria e o Fiat de Jesus no horto. São duas colunas da nova criação. Voltou então a florescer a esperança. O Filho de Deus uniu indissoluvelmente Deus e o homem. Ele é o verdadeiro homem e o verdadeiro Deus. Assumiu a nossa forma, andou pelas nossas estradas, e ensinou-nos o segredo da vida e, através de sua morte na cruz do Calvário, reconciliou consigo o mundo. Quando ele morreu parece que o caos voltou a reinar, os anjos ficaram estupefatos.

– A injustiça parece triunfar. Ele foi julgado no tribunal religioso e político e foi condenado sem ter culpa alguma. Morreu, foi sepultado. Houve silêncio no sábado, mas no domingo Ele ressuscitou e nos diz que a justiça tem a última palavra.

– A mentira triunfa na sua morte. Ele foi acusado de heresia e de um agitador político. Foi condenado e morto entre dois ladrões. Morreu na sexta-feira. No sábado descansou sob a terra, mas no terceiro dia venceu a morte e diz que a verdade falará por último.

– A inimizade e o ódio parecem triunfar quando Ele morreu. Quase todos os seus amigos e seguidores o abandonaram e o ódio falou mais alto. Ele morreu tendo morte de um criminoso vulgar, foi sepultado e descansou no ventre da terra, mas no domingo de Páscoa ressuscitou e reúne seus amigos dizendo que a amizade e amor têm a última palavra.

– Satanás sorri através das autoridades religiosas e políticas. Ele é escarnecido, vilipendiado, humilhado, torturado e crucificado. Foi sepultado e houve silêncio no céu e na terra, mas ressuscitou e pisou na cabeça do mal, a morte, e o inimigo foi derrotado para sempre. A vida eterna se manifestou poderosamente. Por isso sabemos que o bem e não o mal, a vida e não morte, têm a palavra final.

 

  1. 3. Nesta segunda criação há um lugar insubstituível para o Fiat humano, o nosso Fiat: “Venha o teu Reino e faça-se a Tua vontade assim na terra como no céu”. É a nossa disponibilidade para entrar na ordem divina saindo da desordem humana. Nossa recusa, chafurdados pela desobediência e pelo pecado, é a recusa do máximo esforço amoroso de Deus revelado de Jesus Cristo. Sem o nosso “fiat”, o nosso “sim”, continuará a haver sobre a terra uma zona de recusa, uma elemento de desagregação, um germe de desordem, um diálogo interrompido, um silêncio inquietador, a sombra do caos.

 

Conclusão:

– Ouvi certa vez a história de duas crianças. Uma chamava João e a outra Maria. João tinha um coleção de bolas de gude e, no meio dela, uma bolinha azul predileta. Encontraram-se na rua quando Maria andava com as mãos cheias de chocolate. João salivou e pediu chocolate a Maria, mas ela negou. Ele então disse: “Dá-me todos os chocolates e eu lhe darei todas as minhas bolas de gude que estão no meu bolso.” Maria pensou e concordou. Então João meteu a mão no bolso e retirou as bolas, mas com o dedo identificou a predileta e a deixou no bolso. Maria disse: “Aí estão todas as bolas”. João respondeu que sim. E ela deu-lhe os chocolates. Este precisamente é o nosso problema: entregamos tudo, menos o nosso pecado predileto. Mas quando dizemos verdadeiramente o nosso Fiat a primazia absoluta é a vontade divina que é boa, agradável e perfeita.

 

– O nosso “sim” é uma coluna do mundo. Através dele nós descobrimos que há explicação para os mistérios do mundo. Não estamos sozinhos… Há uma vontade amorosa que vem ao nosso encontro. Descobrimos que há uma saída para a história humana: a esperança em Jesus Cristo.

 

– De mãos dadas, pois, recitemos o Pai Nosso. Se é Deus quem diz “Seja feita a tua vontade…”, a morte e a destruição se aproximam de nós. Mas se somos nós que dizemos “Seja feita a Tua vontade…”, entramos em harmonia com Deus e saímos do caos. Nosso Fiat é, pois, essencial e deve ser uma resposta aos outros três. Oremos juntos nesta Páscoa a oração que Jesus nos ensinou:

“Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome;

Venha a nós o teu Reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

E perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos     devedores;

E não nos deixes cair em tentação;

Mas livra-nos do mal pois Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre.             Amém.

 

Pregado no domingo de Páscoa na Igreja Cristã de Brasília na                                        residência do Casal Wilson e Tânia Dias, em Sobradinho, no dia                                     24.04.2011, e publicado no site: www.igrejacristadebrasilia.com.br

 

 

 

 

Júlio Borges de Macedo Filho

Sobre Júlio Borges de Macedo Filho

PASTOR JULIO BORGES DE MACEDO FILHO Piauiense de Curimatá, 72 anos com 48 de pastorado, filho de Julio Borges de Macedo e Arquimínia Guerra de Macedo, é o sétimo filho de uma família de onze irmãos. Casou-se, há 48 anos no dia de sua ordenação ao ministério pastoral, com a professora Gislene Rodrigues Lemos de Macedo e tiveram quatro filhos: Juliene, Jusiel (falecido), Julinho e Julian. Agora Deus lhe deu a primeira neta chamada Sarah, de apenas 8 anos. Concluiu o curso de Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. Formou-se em 1969 e foi ordenado ao ministério pastoral no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Pastoreou as seguintes igrejas: Igreja Batista do Rio Largo – AL (1969 a 1972), Primeira Igreja Evangélica Batista de Teresina – PI (1972 a 1978), Primeira Igreja Batista de Ilhéus – BA (1978 a 1979), Terceira Igreja Batista do Plano Piloto – Brasília (1979 a 1989), Igreja Batista Noroeste de Brasília (interinamente em 1985), Primeira Igreja Batista de Curimatá – PI (interinamente em 2000), e desde 1989, a Igreja Cristã de Brasília. Tomou a iniciativa para a organização das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista de Picos –PI, Igreja Batista do Lago Norte – Brasília, Igreja Batista Noroeste de Brasília (hoje, Igreja Batista Viva Esperança), e a Igreja Cristã de Brasília. Ordenou cerca de 20 pastores e uma pastora, consagrou dezenas de diáconos e diaconisas por onde passou, e celebrou mais de 500 casamentos. É considerando no Distrito Federal um pastor de pastores. Líder denominacional foi presidente da Convenção Batista Alagoana, da Convenção Batista do DF (três vezes), do Conselho de Pastores Evangélicos dos DF (duas vezes); participou de vários organismos batistas como o Conselho de Planejamento e Coordenação da Convenção Batista Brasileira, das juntas administrativas do Seminário Teológico Batista Equatorial e do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil; e por 20 anos foi professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília ensinando as seguintes disciplinas: Estudos de problemas brasileiros, ética cristã, teologia pastoral, teologia contemporânea, ministério urbano, teologia bíblica do Antigo Testamento, e homilética. Como teólogo produziu muitos artigos, teses, e palestras nos mais diferentes lugares, e participou de muitos congressos, seminários, fóruns, retiros, entre eles o Congresso Internacional Lousane II realizado em Manila, Filipinas em 1989. Foi orador de várias assembléias convencionais, e pregou em muitos congressos e igrejas por todo o Brasil. Como poeta e escritor já gestou e publicou cinco livros (Missão da Igreja e responsabilidade social, Voando nas asas da fé, Um sonho coberto de rosas, Suave perfume, e Uma grande mulher), tem quatro prontos para publicação, e está grávidos de mais dez livros que espera escrever e publicar nos próximos oito anos. Na área política assessorou deputado Wasny de Roure, por muitos anos, tanta na CLDF como na Câmara dos Deputados; assessorou por pouco tempo os deputados distritais Peniel Pacheco e Arlete Sampaio; o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, como chefe da Assessoria Parlamentar do MEC, e depois assessor parlamentar do Senador Cristovam Buarque. Nesta área produziu muitos escritos sobre os evangélicos e a política, fez inúmeras palestras, promoveu muitos seminários, e foi fundador e coordenador de vários fóruns, entre eles o Fórum Político Religioso do PT, o Fórum Religioso de Diálogo com GDF, o Fórum Cristão do PT Chegou a Brasília em junho de 1969 e, desde então, a elegeu como sua cidade do coração. Agora, aposentado, deseja dedicar-se a apenas duas atividades essenciais: pastorear graciosamente a Igreja Cristã de Brasília e Brasília, e escrever apaixonadamente. Sua grande ênfase ministerial tem sido o amor cristão, a graça maravilhosa de Deus revelada em Jesus Cristo, a responsabilidade social das igrejas e dos cristãos, e o ministério urbano da igreja.