DISCURSO PARANINFAL
Magnífico Senhor Reitor
Membros da Junta Administrativa,
Estimados colegas do Corpo Docente,
Turma de formandos de 1969,
Irmãos,
Amigos,
Mal sei expressar-me nesta hora, pois desejo fazê-lo sem nenhuma ostentação; sinceramente, sem nenhuma aparência de artificialidade.
Estranho a honra que me é dada nesta ocasião. Estou aqui como um anão entre gigantes. Não mereço este lugar de tão honroso destaque – bem ao contrário, sinto que minha presença aqui serve para destacar, por contraste, o valor dos concluintes deste ano.
Agora, – como no culto de ação de graças realizado na segunda-feira passada – ao ver a turma de concluintes, provados pelo fogo dos cinco anos passados (anos exigentes), esplêndida no seu aparato de formatura, inunda-me um oceano de emoções.
Fostes, quase todos, alunos meus – alunos queridos e respeitados, a quem agora agradeço a honra, inigualada na minha vida, de ter podido lecionar perante vós, de compartilhar convosco da experiência de Jesus Cristo.
A quem se ama se preza. Desejamos, portanto, que as palavras a vós dirigidas esta noite sejam interpretadas como a homenagem dum que em vós achou Cristo, e amou-o.
Deixareis, portanto, uma lacuna em nossos corações, uma lacuna que só será preenchida naquele Dia, que todos ansiamos, quando finalmente Cristo aparecer-nos-á em sua plenitude.
Ouçamos a Palavra inspirada: II Coríntios 6:1,3-10. Leitura feita em forma de jogral pelos formandos)
Hoje não queremos argumentar logicamente.
Hoje queremos ser visionários (no mais elevado sentido) – e a visão desconhece a força da lógica.
Queremos ajoelhar-nos perante uma visão que nos compele, que nos arrasta, que nos absorve, na qual queremos perder, por extasiados, a nossa própria identidade.
A visão é a visão cristã.
A visão nasce na eternidade de Deus.
A visão é da sociedade eterna e gloriosa da Trindade.
A visão é do mundo visível criado pela Palavra onipotente.
A visão é do homem criado nesse mundo por Deus, o Eterno, a sua imagem e semelhança.
A visão é da história humana milenar controlada pelo mesmo Deus.
A visão é da anarquia repugnante criada pela raça humana em sua cegueira e egoísmo.
Mas a visão é da vinda desse Deus Eterno, trindade misteriosa, criador do universo visível, na semelhança da carne; é do sofrimento desse Deus para conseguir a salvação humana; é da Igreja Cristã, militante, o Corpo de Cristo, lutando através dos séculos contra inimigos impiedosos.
A visão é do Espírito Santo sempre renovando essa Igreja.
A visão é de nós, cooperadores de Deus, que andamos como membros do Corpo de Cristo, que somos embaixadores de Deus, que nos integramos, pela graça, no processo começado na mente de Deus muito antes da criação do mundo – o processo de criar uma raça de seres, capazes de comunhão com Ele, que voluntariamente rejeitam o mal para serem bons, por livre e espontânea vontade, por serem gerados espiritualmente pelo mesmo Deus que formou o mundo visível.
A visão é de um começo em que só havia Deus.
A visão é a de um processo em que o Eterno Deus plasma a história humana para que a consumação sempre prevista se realize e na qual nós estamos envolvidos.
Deus faz-nos duas coisas: Chama-nos para sermos cooperadores com ele no processo de realização de sua vontade. E integra-nos nesse processo indescritivelmente glorioso.
Como diz Paulo: “Tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” ( II Coríntios 5:18-20).
Deus nos integra em seus propósitos salvíficos e Ele dá-nos a visão do processo em que estamos integrados.
Chamamos visão a visão de um processo histórico – o processo histórico acha a sua chave em Cristo. O centro da história humana é Cristo.
A história pré-cristã clama pela vinda do apóstolo divino, pois a história desde a vinda dele só se pode entender à luz da pessoa de Jesus. Tudo se resume em Jesus. Tudo se explica em Jesus. E através de Jesus é que percebemos o desenrolar do processo todo – Eterno e histórico.
Na mensagem apostólica tudo depende da interpretação da vida de Jesus, e essa interpretação acha o seu foco na Cruz de Jesus. “ Nós”, diz Paulo, “pregamos a Cristo crucificado”
A Visão da fé cristã é do Deus Eterno, o Salvador sofredor.
“ A palavra da cruz é loucura para os que perecem”. A história do Deus que se envolve no sofrimento humano não faz bom-senso ao homem que nada percebe do amor divino.
A Visão é da cruz e da glória: da cidade celestial à sombra duma cruz. A glória e o sangue misturam-se. Como? O evangelista diz triunfante: “ Vimos a sua glória!” Como foi que vimo-la?
Vimo-la nas asperezas daquela vida, na perseguição, nos “malentendidos”, nas horas de tentação e de aflição, nos açoites (achais, por acaso, que o ministério que Paulo descreve foi só o dele? Ou o nosso? Não, mas antes foi o do próprio Cristo!)
E a maior aspereza, a mais clara, é que brilhava a glória: na cruz, na hora da tormenta, na hora de carregar o peso do mundo inteiro, naquela hora foi a glória de Deus manifestada supremamente.
O ápice do sofrimento foi o cume da glória – pois naquela hora os eternos propósitos de Deus se revelaram. O propósito de criar o mundo pelo sofrimento em que Ele também participava – que Ele, antes, usaria para trazer ao homem a sua salvação.
A Visão é do Cristo – de Cristo com o sangue correndo por entre seus dedos, de seu lado e de sua fronte.
Jesus respondeu ao pedido do filho de Zebedeu: “ Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? E ser batizados com o batismo que eu sou batizado? “Podemos!” responderam.
“ Na verdade, replicou Jesus, “bebereis o meu cálice!” Porque quem se associa com Cristo há de tragar o mesmo copo. “ Quem não toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim”.
Alargaremos as nossas costas para carregarmos, com Cristo, a sua cruz. Estendemos as nossas mãos para aquela horrenda, mas vivificadora, cruz – estendemo-las para receber em nossa carne os cravos que rasgaram o corpo de Cristo – “ qual corpo somos nós”. É para tal participação que vós sois vocacionados. Carregareis as marcas do Senhor Jesus nos vossos corpos – os estigmas, as chagas que comprovarão que como Cristo sofreu, também sofrereis.
E como o sofrimento de Cristo foi a porta para a ressurreição, também é vosso sofrimento com Cristo – o ensejo da graça de Deus.
“ Somos herdeiros… se é certo que como Ele padecemos, para que também sejamos glorificados”. “ Ainda que Cristo fosse crucificado por franqueza, vive contudo pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos mas viveremos com Ele pelo poder de Deus em nós”.
Já tendes a vossa visão
– embora a verdade seja única: cada um de vós já tem o seu evangelho – embora haja só um Evangelho. Porém a visão que se rege as vossas vidas há de crescer, irá estendendo os seus horizontes, irá ampliando sempre o seu alcance.
Ireis percebendo que as coisas que antes vos pareciam não ter relação nenhuma com Cristo estão, sim, necessariamente com Ele, pois tudo que Deus criou serve aos seus propósitos.
Com o passar dos anos, se não vos fossilizardes, a vossa visão irá crescendo, a vossa vida será cada vez mais subjugada à visão que no fim será a vossa vida.
Vossa vocação é como quando um homem sobe uma montanha – quanto mais alto que sobe mais se alarga a vista.
Porém muitas vezes a visão desaparece enquanto o alpinista se embrenha em matas fechadas e atalhos estreitos. Até, às vezes, tem de voltar as costas ao panorama ao redor dele para enfrentar despenhadeiros ásperos e assustadores.
Mas, de vez em quando, pode volver os olhos à visão que sempre se alarga ao seu redor. E às tais horas é que ele percebe que a luta está rendendo, ele está, de fato, subindo. Enxerga vistas distantes, panoramas antes nem sonhados, enfim – o mundo todo parece descobrir-se perante a sua vista encantada.
Mas então, outra vez, tem de voltar para as rochas ainda ameaçadoras que estão à espera dele… assim há de se alegrar a vossa visão como apóstolos da graça de Deus.
O ministério das igrejas de Cristo ao qual sois chamados é a participação dessa visão cristã. O cumprimento da vossa vocação dependerá de vossa visão – dependerá da vossa percepção do processo histórico em que estais integrados.
Deus, na história do mundo por Ele criado, chamou-vos a vós para participardes do processo por Ele idealizado e por Ele sustentado. Processo esse que chegou a seu auge, que se nos descortinou, em Cristo – e que está sendo continuado em vós.
Não fujais das implicações da vossa vocação
Jesus foi Filho de Deus para vos fazer de filhos;
Jesus foi Herdeiro para avos fazer de vós irmãos dele;
Jesus foi Ungido para que também vós sejais ungidos.
Percebeis já a grandeza do Evangelho de Deus? Sei que em parte percebestes. Sabeis que na casa do pai há muitas moradas. Mas já percebestes que haveis de lá entrar como familiares de Deus, integrando como filhos adotivos na vida da trindade com Jesus, o Filho?
A linguagem humana não nos proporciona meios adequados para representarmos a maravilha da Salvação que Deus nos prepara – e na qual cooperamos com Ele.
Essa visão toda, embora percebida só em parte ( “porque agora vemos or espelho, em enigma”) é o móvel do vosso apostolado como o foi do apóstolo Paulo, como o foi do próprio Jesus.
A visão e viva, cresce e vibra. A visão cristã é candente. Ainda sois jovens, vosso coração se aquece com a visão de Cristo.
Vós sois;
Sensíveis às circunstâncias da vida,
Dispostos a reagir a qualquer contrariedade,
Irrequietos perante os males do mundo,
Não conformados com as arbitrariedades da vida humana,
Como crianças (perdoai-me isso!) ainda vos assustais com o crime e mal sabeis acreditar na real perversidade.
Que sempre sejais assim!
É uma das coisas mais difíceis, falando psicologicamente, uma pessoa envelhecendo, não envelhecer intimamente. É dificílimo não perder o arrojo. A saída é sempre conformar-se, mas conformar-se é estagnar e estagnar é morrer. A vida humana é dinâmica: se não avançar retrocede, se não criar morre.
Que sempre sejais inconformados – como o é o Espírito de Deus que, cheio de anos embora, fica sempre, sempre, inconformado com o mundo humano.
Que sempre sejais revolucionários – não conforme moldes estáticos, humanos, que se tornam rígidos e caem como folhas mortas, moldes que só servem para sepultar os seus inventores, mas sim que sejais revolucionários do Evangelho do vinho novo para o qual qualquer odre humano é sempre velho.
Face à tentação para intimamente fugirdes do desafio de Cristo, para o comodismo e o conformismo, imploramo-vos, pelas igrejas de Cristo, que não vos envelheçais. Não sejais nunca contentes com a ideologia do “eu no meu cantinho e você no seu”. O mundo é o vosso campo, o mundo clama por grandes homens – clama por vós, clama que vades, enchais o mundo com a vossa visão do Deus Eterno, e de Cristo crucificado, e do Espírito vivificador, e da criação transformada pelo toque redentor do vosso Deus.
Nós somos inadequados, mas vós sois adequados,
Nós somos mesquinhos, mas vós sois grandes,
Não é Renirton (vai desculpar-me a referência pessoal)
Não é Renirton que vai para o campo de Missões Nacionais – é Deus…
Não é Nabor que vai para Corrente – é Deus…
Não sois vós que ides, pois ides com Deus.
É Deus que vai, não para se fazer de Senhor, não,
É Deus que vai em vós para andar como Cristo andou,
É Deus que vai em vós para sofrer como Cristo sofreu, para ganhar o mundo com aquele mesmo amor que já escravizou, com a sua ternura, os nossos corações.
Não sois vós que vades? Sim, sois vós, porém quando estais fracos, sois fortes, pois em vossa fraqueza Deus se descobrirá à vista dos homens.
Ao transmitir a visão, a primeira, até diríamos a única necessidade é de compartilhardes, vós mesmos, dessa visão. Compartilhando dessa visão é que pregareis em vossos púlpitos, nas vossas ruas, nas vossas casas, pregareis mensagens que são inspiradas na vossa visão, criadas por essa visão. Pregai, portanto, aquilo que arde dentro de vossos corações e que inflama as vossas mentes.
Assim, a chama que ilumina a vossa mente, o calor do vosso palpitante coração, a percepção da vossa inteligência reproduzir-se-á em outras mentes, em outros corações, em outras inteligências.
A vossa pregação há de ser uma chama viva – perspicaz, incisiva, cortante, entusiástica – pregação enfim nascida de uma visão profética, de uma visão que não se apaga e não sabe calar-se. Esta, então, é a vossa tarefa – a propagação da visão.
Não pregueis mensagens insossas ou pedestres, que só cansam e aborrecem a quem quer entender e sondas as vossas palavras. Não percais tempo em fala eclesiástica ou com fala de efemérides.
Se é que um certo dia o senhor (qualquer um de vós) estiver sentindo-se miserável – vai ao púlpito pregar da miséria humana- e então poderá pregar sinceramente. Diga o que Cristo lhe vale como o miserável que se sente ser – e achará na congregação naquele dia um sem-número de outros miseráveis a quem a sua miséria falará de Deus.
Se é que o senhor pecou e enfrenta a igreja num estado de alma impróprio – pregue sobre a revolta humana contra Deus e sobre o amor de Deus que derramou sangue para apagá-la e até o fim de sua mensagem não haverá mais margem para revolta em suas almas e pegará no cálice da Ceia do Senhor e dirá às suas ovelhas “Fui eu que derramei este sangue! Graças a Deus pelo amor que apagou a minha revolta ingrata!” E a congregação vai entender e vai sentir profundamente que pregou o que o coração ditava e o que o Espírito de Deus quis.
E se estiver um dia desanimado, de coração pesado, faz sua gente sentir o seu desânimo, e então faz sentir como e que seu desânimo clama por Deus mais do que sua felicidade clamava. E no fim da mensagem todos os desanimados virão e dirão: obrigado, pastor, o senhor falou da maneira que precisávamos ouvir, pois nos também estávamos desanimados.
Não tenhais medo de vossas emoções naturais. Zangai-vos como Cristo se irou com as pretensões dos fariseus, ou quando o Templo se tornou em mercado. Chorai como Cristo chorou perante a repulsa voluntária da parte do povo da graça de Deus.
Embaraçai-vos como Cristo se embaraçou perante o pecado alheio, escrevendo na areia. Sejais ternos como Cristo, que repreendeu os discípulos que não permitiam que as crianças lhe viessem incomodar.
Ride e sorri como crianças, com humor sensível e amplo, como também Cristo era bem-disposto. “ Fazei tudo para a glória de Deus” , de tal maneira que as vossas ovelhas saberão:
Que quando vos zangardes é Deus que se zanga;
Que quando chorardes é Deus que está chorando;
Que quando vos embaraçais é Deus que está embaraçado;
Que quando vos enterneceis é Deus que está sendo terno;
Que quando rirdes é Deus que está rindo.
Fantasiamos? Não, irmãos. Não!
Quando vossa vida é transparente e quando é cristã, é isso que vai acontecer.
De maneira que a pessoa que acabais de excluir da igreja de Cristo virá, chorando, abraçar-vos, pois, sabe que agistes com a ternura e as lágrimas e o constrangimento de coração próprios do único Filho de Deus.
Assim, a disciplina das vossas igrejas será a disciplina do próprio Cristo. Mas isso não vem de artificialidade, não vem de fazer-vos de grandes. Vem de viver com Cristo, de sofrer com Cristo.
Dissemos que a vossa visão é que controlará a vossa vida. O vosso comportamento moral há de depender também da vossa visão. Se a visão for mesquinha, limitada, medrosa, como é que conhecereis a constância íntima para resistir às pressões do mundo humano? Quando, como pastores, estais sendo chamados a determinado pastorado como é que sabereis distinguir entre a vocação e o interesse? Pois n~.ao existe o homem em quem a ambição e o interesse não ceguem ocasionalmente os olhos a considerações mais elevadas.
Só sabereis distinguir quando a vossa visão do Reino de Deus estiver nítida e desembaraçada. E nas tempestades das vossas vidas, como resistireis? Somente quando tiverdes uma vis~.ao que vos assegure estabilidade íntima.
Julgai vós que foi a oração em Getsêmani que preparou Jesus para a angústia de sua últimas horas? Não, não foi. O que o preparou para enfrentar aquilo foi uma vida de antevisão e comunhão com Deus.
Não julgueis que a oração do último momento é que vai salvar-vos da tentação ou da provação. Somente uma vida perpetuamente vigilante e disposta será adequada para a hora da provação. “Vigiai, pois, e orai, porque não sabeis a hora!”
E como assegurar a vontade para enfrentar tal luta perpétua? Entregando as vossas vidas àquela visão do mundo debaixo do poder de Deus – e da vossa parte em sua salvação.
Então sim, sereis capazes de rir do orgulho, e de rir da ganância, e de rir da popularidade, e de rir de toda a oposição mesquinha.
Para o homem de Deus, empolgado com a visão, as tentações com as quais ele se encontrar não serão suficientes para distraí-lo da visão da “glória que nos há de ser revelada”. Jesus não caiu nas tentações diabólicas porque tinha visto os céus abertos.
E não vos torneis em eclesiásticos profissionais. Acima de tudo sejais simples e despretensiosos crentes em Jesus Cristo – nem mais nem menos. Simples crentes cujo maior prazer é andar com qualquer um, sem ares e sem dignidade postiça.
Deixai o mundo ver-vos cômoda a naturalidade – se não prestardes, é bom que o mundo saiba, para não ser decepcionado. Mas se a vossa vida pesar ( como pesa) e valer (como vale) por que estragá-la com enfeites e ostentação? Jesus tinha toda razão em se aborrecer com aqueles fariseus cuja vida religiosa era mera fachada. O que vale não precisa de fachada; o que precisa de fechada é falso.
A vossa vida e a vossa palavra terão de ser, forçosamente, transparentemente sinceras. E por serem transparentes (a vossa vida e a vossa palavra) a visão que serve de móvel à vossa vida será a realidade que em vossa vida mais transparece.
Portanto, não criais fachadas. Não vos iludais. Deus não vos chamou em virtude de vossa grandeza, ou estatura, ou virtude, ou mérito. Deus vos chamou soberanamente para cumprir a vontade dele, para que todo o joelho se dobrasse ao nome de Jesus e toda a língua confessasse que “Jesus Cristo é o Senhor”.
Não é para nós nos orgulharmos, nem procurar destacar-nos, nem procurarmos grandeza, nem sermos conhecidos. “ De mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. Deixo de gloriar-me para que ninguém cuide de mim mais do que em mim vê ou de mim ouve”.
É para Deus que vivemos ou morremos e se ninguém mais souber, que seja. qe Deus sabe é que basta. Que Deus anda conosco já é recompensa mais que adequada. Que Deus chora conosco e nós com Ele, é prazer do que não pode haver maior, embora ninguém mais veja as lágrimas.
Ide, portanto:
“ Como ministros de Deus, como pobres, ms enriquecendo a muitos, como nada tendo e possuindo tudo”.
Ide, impulsionados por vossa visão.
Ide, constrangidos pelo amor de Cristo.
Mensagem do Paraninfo da turma de 1969, Bacharéis em Teologia, Professor Antonio Boorne, no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife, Pernambuco.
